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União Europeia de Triatlo considera que campeonatos em Coimbra foram “dos melhores de sempre”

26 de junho às 15h26
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Foto - João da Franca

A cidade de Coimbra foi a capital do triatlo internacional durante dez dias, de 14 a 23 de junho, com a realização de seis Campeonatos da Europa das várias vertentes da modalidade. O Festival Europeu de Triatlo Multisport, que terminou em ambiente de festa, com o Multisport Weekend Coimbra, atraiu dezenas de milhares de pessoas às margens do Mondego, entre atletas, familiares, organização e público em geral.

Os Campeonatos da Europa contaram com a participação de 2100 atletas de todo o continente, aos quais se juntaram cerca de 2500 atletas que participaram no Campeonato Nacional e nas provas abertas do último fim de semana.

A União Europeia de Triatlo, entidade responsável por este desporto na Europa, não tem dúvidas: Coimbra foi uma das melhores edições de sempre do evento.

“Temos o orgulho de afirmar que a edição de 2024 em Coimbra foi uma das melhores que alguma vez tivemos do Festival Europeu de Triatlo Multisport. Cada parte envolvida fez um trabalho fantástico. A polícia, apoiada pelos voluntários, garantiu um percurso seguro aos atletas que pedalaram e correram pela cidade. Todos os percursos foram magníficos, mas o percurso de bicicleta pelo centro histórico de Coimbra, Património Mundial da UNESCO, foi particularmente deslumbrante”, elogia Renato Bertrandi, presidente da União Europeia de Triatlo (ETU).

Para Renato Bertrandi, “o Festival Europeu de Triatlo Multisport em Coimbra foi um evento marcante no calendário de corridas. Ao longo de quase dez dias de eventos emocionantes, organizámos em conjunto com Coimbra seis Campeonatos da Europa, mostrando o que há de melhor no multidesporto”.

“Organizar um evento deste género não é tarefa fácil, dada a logística complexa e a necessidade de encerramento de estradas. No entanto, com a participação de 32 federações nacionais e cerca de 2.000 atletas, conseguimos alcançar um sucesso notável. Estes números impressionantes destacam a crescente importância e atratividade do festival”, continua o presidente da ETU.

“Os dez dias de desporto em Coimbra ofereceram aos atletas de toda a Europa uma mistura única de lazer, cultura e excelência atlética. O encanto da cidade e os eventos, meticulosamente planeados, proporcionaram uma experiência inesquecível a todos os participantes”, concluiu o responsável.

Ricardo Lacerda: “Foi um grande sucesso a nível desportivo”

Em jeito de balanço, Ricardo Lacerda, da Multisport, diretor do evento, destaca o sucesso da iniciativa, a nível desportivo e não só. E não esconde a ambição de levar para Coimbra um Campeonato Mundial de Triatlo.

“O Campeonato da Europa foi uma revolução para a cidade, com as ruas, os restaurantes e os hotéis cheios. Estamos a falar de um evento em que a maior parte das pessoas ficam quatro ou cinco dias. Desportivamente, foi também um enorme sucesso. Tivemos feedback muito positivo de todos os atletas, estrangeiros e nacionais, com rasgadíssimos elogios à organização. Gostaram de tudo, desde os traçados, à race village, aos abastecimentos e à atenção constante que tiveram. Isto é o mais importante para um balanço final”, considera Ricardo Lacerda.

“A parte desportiva claramente foi uma aposta ganha. Tivemos resultados fantásticos, com percursos que foram muito rápidos e possibilitaram bons tempos e com provas em que houve chegadas taco a taco, que deram também muita animação”, explica.

Campeonato do Mundo em Coimbra “depende de muitos fatores”

A aposta em levar grandes eventos desportivos de triatlo a Coimbra é para continuar, diz o diretor da prova. Mas uma eventual candidatura a um Campeonato do Mundo depende da conjugação de vários fatores.

“A opinião generalizada é que a organização de grandes eventos de triatlo em Coimbra é para continuar e é para tentar ir sempre um bocadinho mais além. Se é um Mundial ou não, se é para breve ou não, vai depender de muitos fatores. A organização de um Campeonato do Mundo não é muito diferente desta, tem é um acréscimo em termos de dimensão. Se agora conseguimos trazer cerca de 4600 atletas para um Europeu, um Campeonato do Mundo terá quase o dobro, 7500 a 8000. Isto quer dizer que teríamos de resolver, em primeiro lugar, o problema da estadia, alargando a área de alojamento na zona de Coimbra e nos arredores”, explica Ricardo Lacerda.

Por outro lado, diz, “é preciso fazer contas, pois um Mundial representa um esforço enorme. Temos de pensar se o retorno financeiro compensa toda a dedicação da equipa: não podemos ser apenas um grupo de amigos que se dedicam de corpo e alma a este evento. É fundamental termos todas as forças vivas da cidade ao nosso lado. Mas a ambição existe, obviamente, em especial depois de termos organizado a maior prova de triatlo que há na Europa. Assim haja vontade de todos os intervenientes”.

Constrangimentos de trânsito foram um mal necessário

Apesar de tudo o de bom que o Festival Europeu de Triatlo Multisport trouxe à cidade de Coimbra, nem tudo foi perfeito, em especial os constrangimentos provocados pelas obras, reconhece Ricardo Lacerda.

“O facto de os constrangimentos de trânsito, que se deveram às obras do Metro Mondego, terem parado a cidade de Coimbra, por vezes por causa de 10 ou 15 atletas, foi, a meu ver, a parte menos positiva deste Campeonato”, assume o diretor do evento.

“Senti a cidade um pouco de costas voltadas, porque as pessoas estão cansadas com os transtornos que as obras provocam. E claro que tudo o que cause um pouco mais de entropia não é bem aceite por todos, mesmo que seja um evento que trouxe tanto à cidade. Há claramente uma vontade grande das pessoas em terem estes eventos em Coimbra, mas o timing não foi perfeito, por causa da cidade estar em obras. Todos tiveram de se adaptar, para a cidade pode dizer, com orgulho, que já recebeu esta prova, para os comerciantes poderem dizer que tiveram uma semana de restaurantes cheios”, conclui Ricardo Lacerda.

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