Geralopiniao

Opinião: Novo Ciclo Político – Valorizar os Profissionais de Saúde do SNS acima de tudo

09 de fevereiro de 2022 às 10 h33

Vamos iniciar um novo ciclo político com maioria absoluta do PS, colocando no próximo governo maioritário a oportunidade ímpar de em quatro anos executar o impulso reformista necessário à revitalização e fortalecimento do Serviço Nacional de Saúde (SNS), começando por regulamentar a Lei de Bases da Saúde.

Deve neste inicio de ciclo, negociar com os parceiros sociais a publicação do novo Estatuto do SNS como instrumento de qualificação da gestão pública com uma nova direção executiva, capaz de fomentar e financiar a integração da prestação de cuidados em rede com a criação dos sistemas locais de saúde.

Basilar e urgente, será a criação do novo regime de dedicação plena dos profissionais de saúde, assente no cumprimento da tão desejada “agenda do trabalho digno” para “reforçar a qualidade das relações laborais” e a valorização das carreiras profissionais.

Para o SNS poder competir no mercado de trabalho pelos melhores profissionais, nomeadamente médicos especialistas, tem que oferecer uma carreira atrativa (progressão na vertical e na horizontal) e bem remunerada, assente no regime de trabalho em dedicação plena com um sistema retributivo misto (incentivos financeiros e institucionais) que discrimine as equipas de saúde pelos resultados qualitativos, assente num processo de contratualização transparente e com escrutínio público.

O novo regime de dedicação plena, não pode ser um regime de trabalho individual, mas sim assente num projeto coletivo de serviço público eficiente, organizado em Centros de Responsabilidade Integrados (CRI) e Unidades de Saúde Familiar (USF).

Sem mudanças profundas nas carreiras profissionais de modo a que se tornem atrativas, quer no acesso ágil e célere, progressão técnica, graus e categorias, conteúdo funcional e quer ainda, no fim do SIADAP e introdução de mecanismos de avaliação dos serviços, não vai haver retenção dos profissionais.

Se há algo que ficou claro nos últimos meses é que há de facto demasiados problemas no SNS.

A política de recursos humanos no SNS é um deles.

O diagnóstico tem sido evidente. Sobrecarga horária, pluriemprego, carreiras estagnadas e fuga para os privados ou estrangeiro.

Não podemos continuar a apostar em longos horários de trabalho, assentes no objetivo de todos os anos se bater o record de trabalho suplementar.

Em 2021, realizaram-se perto de 21,9 milhões de horas extraordinárias que representa um acréscimo de 26% em relação ao total de horas extras feitas em 2020, ano em que já se tinha batido o recorde nesta matéria.

Devemos ser capazes de criar condições para que nenhum profissional de saúde trabalhe rotineiramente mais de 40 horas por semana.

Quem não tem um bom equilibrio entre a vida profissional e pessoal não pode, a longo prazo, ser um bom profissional.

Nas condições de trabalho, priorizar a implementação da agenda da transformação digital.

Urge garantir a interoperabilidade e integração de todas as aplicações informáticas já existentes nas diversas unidades de saúde dos Centros de Saúde, incluindo da Saúde Pública, cuidados hospitalares, serviços de urgência, saúde mental e rede nacional dos CCI, potenciando sinergias, promovendo simplificação de processos centrado na história clínica do doente e não na Unidade de Saúde ou profissões.

Em simultâneo, aprender com a pandemia para se executar um novo “SIMPLEX” Saúde-Segurança Social, simplificando processos (atestados, certificados, baixas, justificações, contato telefónico, email, acessos online, etc) assegurando uma visão integrada do atendimento do cidadão.

Por fim, acresce como suplemento vitamínico o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que deverá na sua fase de implementação, potenciar o modelo de governação reformista do SNS, possibilitando a implementação da reinvenção dos Centros de Saúde e respetiva articulação integrada e colaborativa com a Reforma da Saúde Mental e Reforma do Modelo de Governação dos Hospitais públicos.

Numa área em que as decisões demoram anos a ter impacto, liderança e resiliência política, exigem-se. Com tantos ventos favoráveis vindos da maioria absoluta, impõe-se a concretização da tão desejada reforma do SNS pós-pandemia.

 

Deixe o seu Comentário

O seu email não vai ser publicado. Os requisitos obrigatórios estão identificados com (*).


Últimas

Geral

opiniao