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Inteligência artificial e saúde mental

17 de junho de 2026 às 09 h30

A inteligência artificial (IA) entrou rapidamente no nosso quotidiano. Utilizamo-la para procurar informação, organizar tarefas e apoiar decisões. As suas potencialidades são inegáveis, mas importa refletir sobre os efeitos que esta crescente presença poderá ter na forma como pensamos, aprendemos e nos relacionamos com o mundo.

Ao longo da história, a tecnologia ampliou as capacidades humanas. A escrita expandiu a memória, a calculadora facilitou os cálculos e a internet democratizou o acesso ao conhecimento. A IA representa um novo salto, permitindo analisar informação, gerar conteúdos e apoiar decisões com rapidez sem precedentes. Quando utilizada com sentido crítico, pode ser uma ferramenta extraordinária. Pode facilitar a aprendizagem, aumentar a produtividade e ajudar a resolver problemas.

Contudo, existem riscos que merecem atenção. Quanto mais delegamos numa tecnologia tarefas que exigem memória, reflexão, análise crítica ou tomada de decisão, menos exercitamos essas capacidades. A utilização acrítica da IA pode contribuir para uma diminuição progressiva de competências cognitivas fundamentais, enfraquecendo a autonomia, o pensamento crítico, a tolerância à dúvida e a resolução independente de problemas.
A capacidade de avaliar criticamente a informação não depende apenas da inteligência ou do nível de instrução. Pode ser condicionada pela idade, pelo estado emocional, pelo isolamento social, pela doença e até pelo hábito crescente de delegar o pensamento em tecnologias que fornecem respostas rápidas, mas nem sempre corretas.

Esta preocupação é particularmente relevante entre os mais jovens, cujos processos de aprendizagem e desenvolvimento cognitivo ainda se encontram em evolução. Quando a tecnologia ultrapassa a sua função de apoio e passa a ocupar o espaço da reflexão, da dúvida e da construção do conhecimento, corre-se o risco de empobrecer competências essenciais como a criatividade, o pensamento crítico e a autonomia intelectual.

Quando os fatores de risco se sobrepõem aos fatores protetores e comprometem a resiliência individual, a procura de respostas simples para problemas complexos pode favorecer decisões inadequadas, atrasar a procura de ajuda especializada e reforçar relações de dependência. A incapacidade de avaliar criticamente a informação recebida pode, então, vir a ter consequências trágicas.

A IA pode ampliar a capacidade humana, mas não substitui o discernimento humano. O verdadeiro desafio não é o avanço das máquinas, mas a nossa capacidade de beneficiar das suas potencialidades sem abdicar da reflexão, do pensamento crítico, da responsabilidade e das relações humanas, dimensões indispensáveis à sustentabilidade da saúde mental.

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