O futuro do PS
Recordo-me do que um amigo meu me disse quando escrevi no diário As Beiras sobre a candidatura às presidenciais de António José Seguro. Ele disse, mais coisa menos coisa, que só o facto de eu achar que ele deveria ser apoiado pelo PS significava que seria necessário o PS ter outro candidato. Contas feitas, António José Seguro é hoje Presidente da República, para provável desalento deste meu amigo socialista, normalmente muito mais certeiro do que eu.
Entretanto, deu-se em Março o XXV Congresso Nacional do Partido Socialista, que ficou marcado pela consolidação da liderança de José Luís Carneiro e pelo esforço de unificar as diferentes alas do partido após um período de transição política. Acredito na parte do esforço de José Luís Carneiro. Não acredito tanto na vertente da unificação. Apesar da união formal, analistas e comentadores (valem o que valem) fizeram notar que o partido ainda procura definir uma alternativa política clara, descrevendo o congresso como pouco mobilizador. E têm razão, pois apesar de José Luís Carneiro ter sido eleito com quase 100% dos votos, pouco mais de 20% dos militantes foram votar.
José Luis Carneiro pode tentar, de todas as formas e feitios, unificar o partido, mas nunca vai conseguir escapar ao fascínio dos autoproclamados intelectuais lisboetas e das margens esquerdas, os denominados progressistas, os que acreditam na salvação disruptiva e no mito do proletariado utopista, que tudo justifica. Quando chegar a hora, o pragmatismo confrontar-se-á com o dogmatismo, e a tirania vencerá, novamente, em nome de um futuro ideal, que sacrifica a verdade (por isso não custou mentir na suposta “união” do Congresso) em favor da liberdade ideológica.
Os “puros” intelectuais desprezam os democratas, rejeitam o facto de a democracia depender da aceitação de que ninguém possui a “verdade histórica” completa, e que as necessárias soluções reformistas são superiores aos espasmos revolucionários ou populistas. Por mim, quero o melhor para Portugal. Quero mais democratas e menos extremistas. Em todos os partidos.


Não entendi quem o autor considera que iria vencer o confronto interno do PS. A “tirania” do pragmatismo ou do dogmatismo?