Justifica-se o Parque Urbano havendo a extensão das Abadias?
As alterações climáticas impõem uma reconfiguração do ecossistema urbano. O consenso científico é inequívoco: a expansão de zonas verdes é o mecanismo mais eficaz para mitigar estes efeitos consequentes. Contudo, na gestão pública, o imperativo ecológico colide, muitas vezes, com a restrição orçamental.
O conceito de um “pulmão” na entrada norte da cidade é meritório, mas a sua execução e manutenção tem um elevado custo de oportunidade.
A requalificação e ampliação das Abadias (em curso) já funciona como o principal parque urbano da cidade, eixo central de utilização diária, tradição social, zonas de lazer e uma forte ligação afetiva dos figueirenses ao espaço.
Uma nova infraestrutura de grande escala em Tavarede poderá comprometer a sustentabilidade financeira do município – acarretando elevados encargos de capital (Capex) e, sobretudo, custos operacionais (Opex) permanentes de limpeza, rega e segurança.
Alternativamente, o município, alinhando a resiliência climática com a prudência financeira, poderá implementar boas práticas reconhecidas na Europa, como: a edificação pública e privada de coberturas verdes; mecanismos de discriminação fiscal positiva ou majorações urbanísticas. A autarquia pode promover externalidades ambientais positivas sem sobrecarregar o erário público.
A prioridade estratégica deve focar-se, para já, na consolidação das Abadias, antes de expandir a despesa, garantindo que a cidade respire saudavelmente sem sufocar as contas públicas, sem esquecer, no futuro, esse projeto.

