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O que é a DSI?

21 de julho de 2026 às 09 h15

A Doutrina Social da Igreja (DSI) começou a ser formalmente sistematizada em 1891, com a publicação da encíclica Rerum Novarum pelo Papa Leão XIII. Este documento surgiu para responder à grave “questão operária” gerada pela Revolução Industrial. Entretanto, este pensamento que relê a realidade à luz dos critérios do Evangelho foi enriquecido e atualizado por sucessivos Papas e Concílios.

Na recente Encíclica ‘Magnifica Humanitas’ (15.05.2026) diz o Papa Leão XIV: “Considero que hoje, para salvaguardar a pessoa humana na era da inteligência artificial, devemos voltar a refletir sobre o bem comum, a destino universal dos bens, a subsidiariedade, a solidariedade e a justiça social” (n. 46), “o cuidado da criação, a centralidade da paz e da fraternidade” (n. 45).

Pra o Papa Leão XIV a DSI não é “um manual de princípios e normas a aplicar, mas um caminho de discernimento comunitário. Ela nasce do encontro entre a verdade eterna do Evangelho e as perguntas da história; deixa-se interrogar pelos sinais dos tempos; nutre-se dos contributos das ciências, das culturas e das experiências humanas” (n.27).

De facto, a DSI “não é apenas uma palavra dirigida à sociedade: é também um exame de consciência para a Igreja, casa e escola de comunhão, chamada sempre a averiguar se os princípios evocados neste capítulo são vividos, em primeiro lugar, dentro de si mesma” (n.86).

Não podemos ser inocentes. Efetivamente, “as inovações tecnológicas – entre elas a inteligência artificial – não são neutras: podem aumentar a participação e a justiça, ou, pelo contrário, agravar desigualdades, controle e exclusão” (n. 85).

Nos dias que correm, ainda que estejamos nos primeiros passos da Inteligência Artificial (IA), não podemos ignorar riscos e tensões de decorrem da IA. Recorda-nos o Papa: “A inteligência, se absolutizada, acaba por obscurecer outras dimensões essenciais da vida: o afeto, a vontade, a dedicação e a relação. O poder técnico, se não for equilibrado, não nos torna mais capazes: torna-nos mais sós e mais expostos a lógicas de domínio e exclusão. Não se trata, evidentemente, de se opor à inteligência, mas de recordar que esta, quando se fecha em si mesma, esquece ter sido feita para servir a vida e a pessoa humana.” (n 113)

Na verdade, “as ditas inteligências artificiais não vivem uma experiência, não possuem um corpo, não passam pela alegria e pela dor, não amadurecem nas relações, não conhecem internamente o que significa amor, trabalho, amizade, responsabilidade. Nem sequer possuem uma consciência moral: não julgam o bem e o mal, não captam o sentido último das situações, não assumem sobre si o peso das consequências. (…) Ainda que esses instrumentos sejam apresentados como capazes de “aprender”, a sua forma de o fazer é diferente da do ser humano. Não se trata da experiência de quem se deixa moldar pela vida e cresce ao longo do tempo através de escolhas, erros, perdão e fidelidade; trata-se, antes, de uma adaptação estatística a partir de dados e resultados, que pode ser muito eficaz, mas não implica um crescimento interior” (n. 99).

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