Vencedora do Prémio Manuel Alegre denuncia falta de pagamento por parte da AAC
Prémio foi anunciado numa sessão realizada em novembro do ano passado
A vencedora da 5.ª edição do Prémio Literário Manuel Alegre acusa a Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra (AAC) de ainda não ter liquidado o prémio monetário atribuído no concurso, vários meses após a cerimónia oficial de entrega.
Sandra Inês Cruz, autora do conto “Inocência”, distinguido com o primeiro lugar da edição de 2025, denuncia que o valor de dois mil euros previsto no regulamento continua por pagar, apesar de o prémio ter sido anunciado publicamente numa sessão realizada em novembro do ano passado.
Numa denúncia enviada ao DIÁRIO AS BEIRAS, a vencedora refere ter realizado “inúmeras tentativas de contacto” com a presidência e a tesouraria da DG/AAC, recebendo apenas justificações relacionadas com “dificuldades financeiras” ou com o alegado desconhecimento do processo por parte da nova direção.
A escritora considera “inadmissível” que a AAC utilize o nome de Manuel Alegre para promover um concurso literário “cujos compromissos não honra”, alertando ainda futuros candidatos e a comunidade académica para aquilo que classifica como uma “falta de transparência e seriedade” na gestão cultural da atual direção da associação.
Situação financeira da AAC e definição de prioridades
Confrontado com a situação, o presidente da direção-geral da AAC, José Machado, reconheceu o atraso no pagamento, mas sublinhou que “não é o primeiro ano” que este tipo de situação acontece no âmbito do Prémio Literário Manuel Alegre.
Segundo o responsável, o regulamento do concurso “não define qualquer estimativa temporal de liquidação do montante” e passaram “apenas alguns meses desde o anúncio dos vencedores”.
José Machado justificou ainda o atraso com a situação financeira encontrada pela atual direção da AAC no início do mandato, referindo que a associação atravessa um processo de recuperação assente “num considerável rigor orçamental” e numa definição de prioridades.
“O pagamento dos vencimentos do corpo técnico, o cumprimento das obrigações fiscais ou o pagamento das bolsas do Fundo de Ação Social” têm prioridade sobre “a liquidação de um prémio cultural”, afirmou.
O dirigente acrescentou que a AAC ainda não anunciou a nova edição do prémio devido às limitações financeiras existentes, garantindo que os vencedores serão contactados “quando for possível e sustentável” concluir o processo de pagamento.
José Machado considerou ainda que “não será naturalmente a mediatização do assunto” a acelerar a resolução do caso.

