Coimbra

Vencedora do Prémio Manuel Alegre denuncia falta de pagamento por parte da AAC

04 de junho de 2026 às 17 h58
Prémio foi anunciado numa sessão realizada em novembro do ano passado

A vencedora da 5.ª edição do Prémio Literário Manuel Alegre acusa a Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra (AAC) de ainda não ter liquidado o prémio monetário atribuído no concurso, vários meses após a cerimónia oficial de entrega.

Sandra Inês Cruz, autora do conto “Inocência”, distinguido com o primeiro lugar da edição de 2025, denuncia que o valor de dois mil euros previsto no regulamento continua por pagar, apesar de o prémio ter sido anunciado publicamente numa sessão realizada em novembro do ano passado.

Numa denúncia enviada ao DIÁRIO AS BEIRAS, a vencedora refere ter realizado “inúmeras tentativas de contacto” com a presidência e a tesouraria da DG/AAC, recebendo apenas justificações relacionadas com “dificuldades financeiras” ou com o alegado desconhecimento do processo por parte da nova direção.

A escritora considera “inadmissível” que a AAC utilize o nome de Manuel Alegre para promover um concurso literário “cujos compromissos não honra”, alertando ainda futuros candidatos e a comunidade académica para aquilo que classifica como uma “falta de transparência e seriedade” na gestão cultural da atual direção da associação.

Situação financeira da AAC e definição de prioridades

Confrontado com a situação, o presidente da direção-geral da AAC, José Machado, reconheceu o atraso no pagamento, mas sublinhou que “não é o primeiro ano” que este tipo de situação acontece no âmbito do Prémio Literário Manuel Alegre.

Segundo o responsável, o regulamento do concurso “não define qualquer estimativa temporal de liquidação do montante” e passaram “apenas alguns meses desde o anúncio dos vencedores”.

José Machado justificou ainda o atraso com a situação financeira encontrada pela atual direção da AAC no início do mandato, referindo que a associação atravessa um processo de recuperação assente “num considerável rigor orçamental” e numa definição de prioridades.

“O pagamento dos vencimentos do corpo técnico, o cumprimento das obrigações fiscais ou o pagamento das bolsas do Fundo de Ação Social” têm prioridade sobre “a liquidação de um prémio cultural”, afirmou.

O dirigente acrescentou que a AAC ainda não anunciou a nova edição do prémio devido às limitações financeiras existentes, garantindo que os vencedores serão contactados “quando for possível e sustentável” concluir o processo de pagamento.

José Machado considerou ainda que “não será naturalmente a mediatização do assunto” a acelerar a resolução do caso.

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