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População manifesta-se na aldeia do Meco, Montemor-o-Velho, contra exploração de minério

29 de abril de 2025 às 16 h33
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Cerca de 500 pessoas são esperadas hoje numa vigília na aldeia do Meco, concelho de Montemor-o-Velho, contra a prospeção de um minério de areias siliciosas e argilas especiais que consideram ser um “atentado ambiental e de saúde pública”.

A vigília acontecerá às 19:00, junto à sede da Associação do Centro Cultural e Desportivo do Meco, para onde a empresa “Aldeia S.A” marcou uma sessão de esclarecimento à população.

Carolina Monteiro, moradora da aldeia, explicou à agência Lusa que, depois de ter tentado noutros pontos da Região Centro (como Soure e Vila Verde), a empresa “Aldeia S.A.” pretende agora fazer a exploração numa área que abrange as aldeias de Meco, Vale Canosa e Amieiro.

“Isto vai muito para além da aldeia do Meco. Estamos a falar de uma área de mais de 136 hectares, com licença para exploração de poços a 30 metros de profundidade, nos quais existem muitos lençóis de água”, alertou.

A moradora exemplificou que “esses lençóis de água vão abastecer os Olhos da Fervença, que é o sítio de onde sai a água potável para o concelho de Cantanhede inteiro”.

Segundo Carolina Monteiro, a população ficou surpreendida quando, no dia 23, a Junta de Freguesia de Arazede assinou um edital a convocar para uma sessão de esclarecimento.

“Quando há uma sessão de esclarecimento à população é porque o processo já vem de cima e mais avançado. Estamos a falar de uma fase em que a empresa já vem com pareceres positivos”, afirmou.

Por outro lado, acrescentou, a Associação do Centro Cultural e Desportivo do Meco “não é da Junta de Freguesia, nem é da Câmara Municipal, é das pessoas da aldeia e não houve qualquer tipo de pedido para usar o espaço”.

“O ‘modus operandi’ desta empresa é: mal eles entram na sala, começam a gravar e a partir do momento em que começam a falar consideram que a sessão de esclarecimento aconteceu. Não interessa o que a população pensa, não interessa se houve esclarecimento, interessa que eles têm uma prova em como esse esclarecimento supostamente aconteceu”, criticou.

Carolina Monteiro contou que “muito em cima do joelho e à base do pânico”, os habitantes começaram a “tentar organizar-se, enquanto comunidade, de alguma forma”.

“Não tivemos tempo para criar uma comissão. Não tivemos tempo absolutamente para nada, nem para tentar recolher assinaturas ou para fazer um parecer negativo”, afirmou.

A solução passou por fazer a vigília, que contará com a presença de personalidades ligadas às áreas da política e da música. Está prevista a presença da coordenadora do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua.

O presidente da Câmara de Montemor-o-Velho, Emílio Torrão, disse à agência Lusa que a autarquia “só é ouvida para saber se, em termos de PDM (Plano Diretor Municipal), é possível a prospeção”.

“O nosso PDM não impedia, portanto, a posição da Câmara é técnica. Mas, do ponto de vista político, o presidente, todo o executivo, todos os membros da Assembleia, por unanimidade, são contra a exploração”, assegurou.

Emílio Torrão explicou que a prospeção “é um processo que é decidido pelo Governo” e que a autarquia não consegue controlar, mas que, enquanto presidente da Câmara, estará “radicalmente contra” a exploração e tudo fará para a impedir.

1 Comentário

  1. Ze da Gandara diz:

    Valha-nos o nosso querido líder que se preciso for, vai a Lesboa ao Terreiro do Paço imolar-se junto à estátua equestre do Dom José I (ou numa versão mais light, acorrentar-se apenas à dita estátua em greve de fome até lhe irem servir uns acepipes made in MMV) em defesa dos nossos fregueses e munícipes… Para quem por coisas de somenos e de lana-caprina brade aos céus e não se cala (quase que parecendo uma birra), não parecerá ao comum leitor que neste caso, o nosso querido líder está muito brando na reacção? Será por causa do fim do prazo de validade à frente da alcaldía, não se querendo chatear dado se aproximar a pré-reforma? Uma coisa é dizer ser contra… Outra coisa é fazer algo por muito pouco que seja, para contrariar… E os jornaleiros não foram ouvir a proto-candidata Sumol-Laranja que se prepara desde há muito de forma militante para se catapultar para suceder ao nosso ainda actual querido líder? O que opina a senhora proto-candidata? Perante as acusações do nosso querido líder de que são os malévolos e pérfidos membros do Desgoverno de Lesboa ao leme dos destinos da chamada República a oprimir o Portugal profundo contra a vontade das populações, vai, como proto-defensora oficiosa militante e intransigente de tudo o que cheire a terras de Fernão Mendes Pinto, entregar o cartão de militante da laranjada? Ou no partido da laranjada também existe o centralismo democrático típico do Partido dos Consumistas Portugueses e se o Partido diz que é para fazer harakiri, é para fazer harakiri, nem que isso soe a não ser propriamente autónomo e a não ter ideias próprias? E aquilo a que se convencionou chamar de partido, que tem crescido eleitoralmente na Gândara (ao ponto de ser a segunda força política em algumas freguesias mesmo no concelho de MMV) e por todo o Portugal profundo que se diz tão diferente de tudo o que existe (embora se assim for, o seja numa realidade paralela desligada da realidade do comum mortal ou numa corrida em pista própria onde chega sempre em primeiro), tão destrutivo e tão demolidor, não dá sinal de vida? O Zé Povinho não se farta de fazer figura de idiota útil… Nem se apercebe que chegada a hora do aperto, é vendido (sem sequer saber) como carneirada numa feira de gado depois de ter caído no conto do vigário e de ser traído por quem lhe andou a sussurrar hosanas aos ouvidos até lhe caçar o voto… Caso para dizer… Irra que é saloio!

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