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Opinião- Viramos a página?

10 de janeiro de 2022 às 12 h49
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A grande velocidade, algo perdidos num combate onde não há árbitro nem VAR, passámos por 2021 e chegamos a 2022 esperançosos que o conhecimento que já levamos do adversário ao fim de mais de dois anos nos permita finalmente ganhar esta luta.

É este o meu desejo, e sê-lo-á certamente o da maioria de vós.

Que tenhamos todos um excelente 2022.

Depositámos em 2021 a esperança desse poder ser o ano da recuperação económica, tê-lo-á sido?

Depois de um 2020 de “normal” desastre do ponto de vista económico, com o PIB nacional a ter trimestres com quebras de 16% face ao período homólogo, 2021 tinha que nos permitir recuperar.

Começar 2021 (primeiro trimestre) em confinamento não só não permitiu essa recuperação como ainda agravou o cenário. Mas daí em diante, o que é que é possível ler na economia real do nosso país?

Retrato-vos a minha experiência, a experiência da economia real (não da economia académica ou da economia governativa), da economia de uma empresa portuguesa como tantas outras em que todos os seus quadros trabalharam no seu limite, horas a fio na luta pela sobrevivência do nosso bem comum, a entidade que nos emprega a todos.

E sim, com muitas limitações, com muito sacrifício e até com algum sofrimento, a recuperação iniciou-se.

O segundo semestre de 2021 foi efetivamente um período de reposição de alguma normalidade na vida das pessoas e consequentemente nos negócios e na actividade empresarial.

E é aqui que considero que encontramos um ponto-chave necessário à recuperação económica do nosso país: normalidade.

Afirmo a normalidade como uma necessidade absoluta no processo de recuperação e não apenas no contexto pandémico.

Afirmo normalidade como uma necessidade também no contexto político.

A recuperação encetada pela economia nacional nos últimos meses não teve outra origem que não a resiliência das nossas empresas, das suas lideranças e dos seus muito dedicados trabalhadores, dado que o apoio governativo teve incidência quase em exclusivo para a fase de confinamento, esquecendo por completo a recuperação económica pós confinamento (pelo menos para a maior parte dos sectores).

Se neste processo, por ação governativa, outro apoio não houver, que haja a tão necessária normalidade. E é daqui que advém uma recente preocupação.

Quem se apresenta a eleições tem que apresentar as suas ideias. Ideias que naturalmente advêm (ou deveriam advir) da sua ideologia política, mas nunca esquecendo o estado e o momento que o país atravessa.

Preocupa-me bastante, enquanto cidadão e enquanto empresário, que cada vez mais se assista a uma evolução da política da promessa fácil, aquela que de forma aparente trará “apenas” melhores resultados nas urnas.

Quando precisamos de recuperar a economia e precisamos de recuperar muitas das nossas empresas (sabendo que a ameaça das insolvências está bem presente e os dados do empreendedorismo – criação de novas empresas – demonstram estarmos muito longe dos valores pré-pandémicos), entender que a prioridade é colocar a sufrágio promessas de salários mínimos nacionais de 900€ e semanas de trabalho a 4 dias no horizonte de 4 anos faz-me achar que…bem, nem sei o que achar.

Tanto se fala em populismo.

Talvez caiba aqui um tanto desse populismo.

Não é que não concorde com fazer “evoluir” o estudo desse modelo de trabalho, que terá obviamente vantagens, apenas acho que o momento não é de todo o adequado.

Semanas de trabalho de 4 dias, até os sindicatos concordam não ser uma prioridade. Menos dias de trabalho e mais tempo em família?

Quem não aprova?

Qualquer empresário o aprovará facilmente (porque também tem família), desde que haja forma das empresas se manterem competitivas e rentáveis.

No momento oportuno, com uma economia pujante e em crescimento, coisa tão pouco vista no nosso país, talvez possamos discutir o assunto.

Ou melhor, teremos todo o interesse em discutir o assunto.

Se a página seguinte do livro for a do crescimento económico, este e outros assuntos poderão ter o seu destaque.

Se assim não for, tudo não passará de promessas em tempos de eleições e de promessas estamos todos fartos. Por mim, viro a página!

*Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico

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