Opinião: Os novos teatros de guerra
Com a guerra de regresso à Europa, regressam os tradicionais teatros de guerra – terra, mar e ar, mas percebemos que existem novos palcos para os acontecimentos, que colocam novos desafios, cada vez mais relevantes.
Com os ciberataques a assumirem proporções nunca vistas, a ciberguerra será um quarto teatro de guerra com muito grande importância.
Vemos que, neste plano, esta guerra começou já há muito.
O relatório do ano passado da Microsoft sobre defesa digital revelava que, em 2021, 58% de todos os ciberataques cibernéticos observados em estados-nação vieram da Rússia.
E o segundo país no Mundo mais afetado por ciberataques foi precisamente a Ucrânia, logo a seguir aos Estados Unidos.
Agora, em sentido contrário, os ciberataques viram-se para a Rússia.
As frentes são muitas e mostram-nos a dependência de diversos sistemas.
Veja-se a dependência de comunicações.
Com a ameaça da Rússia poder de algum modo vir a comprometer as comunicações do país vizinho, foi o vice-primeiro-ministro e ministro da Transição Digital da Ucrânia a fazer um pedido a Elon Musk para providenciar a este país aquele que é considerado atualmente o melhor e mais resistente serviço de Internet do mundo e que é propriedade de Musk – as estações Starlink – uma enorme constelação de satélites que está a ser construída pela SpaceX, a agência espacial privada liderada por Elon Musk e que permitirá levar Internet de alta velocidade para zonas remotas do planeta.
Mas, a verdade é que já há muito que as comunicações assumiram um papel central em contexto militar ou de guerra.
Basta recordar que a Internet, tal como hoje a conhecemos, teve origem numa primeira rede de computadores construída nos EUA durante a Guerra Fria, conhecida inicialmente por ARPANET.
Esta rede foi financiada pelo Departamento de Defesa Americano (DARPA) e ligava os principais centros militares e científicos como forma de proteger informações e comunicações no caso de um ataque nuclear soviético.
E ainda as comunicações – no plano financeiro avançam medidas para garantir que os bancos russos sejam removidos da rede de comunicação mundial que permite padronizar transações financeiras internacionais e assim enviar e receber instruções para transferência de dinheiro entre fronteiras – o sistema SWIFT.
Garantir que esses bancos sejam desconectados desta rede do sistema financeiro internacional prejudicará a capacidade da Rússia operar globalmente, significando que o seu governo e empresas não poderão mais receber pagamentos por bens e serviços por esta via, o que irá seguramente contribuir para o colapso da sua economia.
Um contexto extremo, no qual que somos forçados a perceber a importância das comunicações, das redes e dos sistemas de informação na nossa segurança, e que afetam todos os domínios da nossa vida em sociedade.

