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Ciclismo – Eulálio confia mais em si mas só se vê a lutar pela geral de uma ‘grande’ daqui a dois anos

04 de junho de 2026 às 11 h25
Figueirense partiu para a 109.ª edição do Giro, em 08 de maio e regressou a casa como terceiro melhor ciclista português de sempre na geral da prova, | Foto:

Afonso Eulálio passou a acreditar mais em si após ser sexto no Giro, mas o ciclista da Bahrain Victorious antecipa que só daqui a dois anos tornará a lutar pela geral de uma grande Volta, preferindo centrar-se nas clássicas.

Após uns dias de descanso, o melhor jovem da 109.ª Volta a Itália abordou hoje numa madrugadora videoconferência a sua experiência na ‘corsa rosa’, que liderou durante nove etapas, e da qual saiu a confiar mais nas suas capacidades.

“Como tínhamos perdido o nosso líder [Santiago Buitrago, por queda], acabámos por falar dentro da equipa e decidimos ir correr para a geral e tentar. Se as coisas não corressem bem, não corriam. Mas se corressem bem, corriam”, recordou.

Afonso Eulálio disse aos diretores da Bahrain Victorious que “queria a etapa cinco”, até porque estava a chover, com tudo a ser analisado ao pormenor e a resultar quase na perfeição, com o português a ser segundo, atrás do espanhol Igor Arrieta (UAE Emirates), e a vestir a ‘maglia rosa’.

“Só faltou mesma vitória na etapa. E, claro, que depois daí era impossível não tentar fazer a geral, dado o tempo que tinha de avanço”, pontuou.

O figueirense partiu para a 109.ª edição do Giro, em 08 de maio, em Nessebar (Bulgária), com o objetivo de conquistar uma etapa, e regressou a casa como terceiro melhor ciclista português de sempre na geral da prova, segundo que mais dias andou vestido de rosa – é apenas batido pelos 15 dias de João Almeida em 2020 – e terceiro a conquistar uma camisola.

“Queria bastante a etapa. No fim do Giro, as coisas acabaram por se desenrolar de uma forma tão grande, vestindo a camisola rosa, acabar com a camisola branca e conseguir vencê-la mesmo no final e fazer top 10. Penso que não tem mal nenhum a vitória ter ficado de lado”, brincou.

Eulálio espera ter ainda “muitos anos para voltar a tentar uma vitória” de etapa numa corrida de três semanas, assumindo que “provavelmente” só vai “voltar a fazer geral numa grande Volta daqui a dois anos”.

“O que gosto de fazer são as clássicas”, confessou.

Esta época, o luso de 24 anos vai focar-se “nas clássicas a 100% no final do ano”, admitindo que gostaria de representar Portugal nos Mundiais, onde no ano passado foi nono, e nos Europeus.

“Para o ano, eu penso que vou fazer o Tour. É uma das melhores corridas do mundo. Vou fazer o Tour 100% relaxado, sem correr para a geral. Vou tentar suportar os meus líderes, vou para uma etapa ou outra, dar o meu melhor, e daqui a dois anos, talvez, fazer Giro e Vuelta. […] Vou continuar a trabalhar o contrarrelógio, continuar a trabalhar na alta montanha também, nem que seja para daqui a dois anos”, antecipou.

Depois de ter renovado com a Bahrain Victorious em dezembro, Eulálio admite que a prestação no Giro lhe vai proporcionar melhorias no contrato, ao qual poderá ser acrescentado “mais um ano ou mais dois”.

“Estão a trabalhar bastante bem comigo. Acima de tudo, não me chateiam muito. Sabem que eu cometo muitos erros. Tenho que aprender bastantes coisas”, reconheceu.

O figueirense confessa que os seus diretores ficariam “mais contentes se corresse de forma mais conservadora”, como se depreendeu em alguns momentos na Volta a Itália, mas notou que já o começam a conhecer.

“Já sabem como eu gosto de correr, já sabem que eu cometo alguns erros em alguns momentos, já sabem que eu ataco. Mas é a minha forma de correr, isso não vai mudar. Claro que a equipa me pede, às vezes, mais calma, mas é a minha maneira de correr. Eu gosto bastante de atacar. Eu quando não ataco é porque não tenho pernas. Penso que, às vezes, também com o meu crescimento, vou começar a acalmar-me um pouco”, completou.

Por agora, e depois de uma semana de paragem para descansar do exigente Giro conquistado por Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike), Eulálio vai retomar os treinos para a semana, antes de regressar à competição na Volta à Suíça (17 a 21 de junho), onde estará no apoio a Lenny Martinez e Antonio Tiberi.

Depois, participará nos Nacionais, nomeadamente no contrarrelógio, que encarará não para ganhar, mas para treinar.

“Treinar o contrarrelógio é um bocado difícil. Nunca temos estradas fechadas, nunca dá para treinar a 100%”, justificou, acrescentando que na prova de fundo, na qual foi campeão em sub-23 (2022), irá dar o seu melhor.

AMG // AJO

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