Opinião: O algoritmo é a mensagem…
As “Palestras Romanas” (The Romanes Lecture) são lições, gratuitas para o público em geral, dadas anualmente no Teatro Sheldonia, em Oxford, Inglaterra. Fundadas em 1892, e nomeadas pelo biólogo George Romanes, figuras notáveis das Artes às Ciências têm sido convidadas a palestrar, cobrindo qualquer assunto em ciência, arte ou literatura, aprovada pela Universidade.
Para este ano de 2024, esteve no palco do teatro, Geoffrey Hinton por muitos considerado o “pai” das Redes Neuronais de Inteligência Artificial e, vencedor do Prémio Turing em Computação de 2018, para responder à questão ‘Will digital intelligence replace biological intelligence ?’
Durante a palestra, que é uma questão intitulada “A inteligência digital substituirá a inteligência biológica?”, um cenário de antevisão para uma “tecno-espécie” de base digital, discutiu os perigos da inteligência artificial (IA) mas, sobretudo como garantir que esta não toma o controlo dos humanos e, consequentemente, elimine a humanidade, inaugurando de algum modo, um certo sentido de orientação para o “sobrevivencialismo” .
Geoffrey Hinton, sempre acreditou que os sistemas de IA poderiam levar até um século para se tornarem “superinteligentes”, contraria agora este seu pensamento para afirmar categoricamente que, isso acontecerá mais cedo do que esperava.
Desde 1985, Geoffrey Hinton é uma autoridade em matéria de Inteligência Artificial quando começou a trabalhar nos algoritmos neuronais que estão na base dos Chatbots da atualidade, e lançou as bases e os Talentos para o aprofundamento da Aprendizagem Profunda (Deep Learning), inspirando nomes como Nick Bostron a escrever “Superintelligence” (2014) . Superintelligence é uma obra seminal que reflete sobre as diferentes modalidades com que a Inteligência Digital se nos apresenta desde Oráculos, Ferramentas de IA ( chatbots) e Simuladores mas, principalmente, os Agentes Autónomos, estes sim, com uma superior capacidade para alterar o jogo do desenvolvimento e as suas regras tradicionais de operar ( modus operandi) e de fazer ( modus faciende).
Nos anos sessenta do século vinte, Marshall McLuan, em pleno desenvolvimento da sua obra de referência “Aldeia Global” apresentou a ideia memética, e de algum modo profética “o canal é a mensagem”, como que prenunciando o aparecimento da futura Internet e de todos os seus canais na “Rede das Redes” como, de fato, a grande mensagem.
Pois bem, apenas por simples analogia a ideia “O Algoritmo é a Mensagem”, pode ser um prenúncio de uma nova espécie, uma “tecno-espécie” digital, com raiz no génio humano que, necessita de reflexão profunda, com sentido educacional para o bem estar coletivo.
Como tudo o que é humano porém, haverá de contar sempre com o erro. O maior equívoco seria pensar que, de modo ingénuo, o bem ganha sempre e, tal não é verdade. É necessário pensar e agir sobre a “Educação para o Humano do Futuro”, relevando a necessidade de esforço e elevando sempre o Conhecimento como sinónimo de Liberdade. O seu contrário, a Ignorância , conduzir-nos-ia a uma continuada subserviência e, a um permanente estado sob-controlo.

