Os novos autores e a nova ideologia
1- “Sempre que temos um sismo toca um sino de alarme: atenção que a litosfera mexe-se! Não a sentimos a mexer, só damos pelos resultados – que são os tremores de terra. Quando isso sucede é libertada uma grande quantidade de energia e, o facto de isso ser repentino, retira-nos a capacidade de o poder controlar. E as pessoas não sabem lidar com essa incerteza.” (Miguel Miranda, Lx,1953, Presidente do IPMA ao DN em 2021)
A frustração e a incerteza são respostas emocionais que a expectativa ou a imprevisibilidade disparam. Podem ser respostas treinadas, mas na sociedade contemporânea não o são. Rossandro Klinjey (Brasil, 1971 – ) é um divulgador, um inluencer e tem alertado imenso para a importância da tristeza e da infelicidade no treino dos seus oponentes. Afinal, não existe felicidade constante. A imunidade contra a frustração é mecanismo vital para fazer frente à dinâmica da vida.
Deste modo, a relação com o imprevisto ou a incerteza também geram estados de stress que podiam ter sido trabalhados. A educação não é só o desejo, mas o que se concretiza, o que não se realiza sem culpa. Por essa razão, já o budismo esclarece que o sofrimento vem do desejo, surgindo das implicações da sua concretização, do esforço necessário e da possibilidade de não se realizar apesar do investido.
2- O problema da regulação alimentar tem sido o fortalecimento da segurança em detrimento da qualidade. Garantir padrões de ausência de salmonella, brucella, listéria e E.Coli, tem sido um caminho asséptico, mas carregando o preço do processamento, o acrescento de corantes, conservantes, substitutos de sabores, e sobretudo a subjugação ao poder do negócio. Construir árvores, ou plantas que duplicam a sua produção anual, implica adubos, alterações genéticas, regadios industriais.
O açúcar tomou conta da alimentação e com ele a inflamação intestinal e cerebral. O açúcar é irmão do tabaco, do sal refinado, do álcool, e da contraditória regulamentação, produzida nos países mais avançados. Há mesmo um grito de alerta contra tudo o que é branco na alimentação e acrescente-lhe o amarelo. Reduzir as substâncias associadas ao processo inflamatório é já uma ideologia, mais que uma recomendação alimentar. Jean Louis Peytavin (França 1943 – ) não pára de escrever sobre esta complexidade de agressores e os inerentes malefícios no cérebro. A ideóloga no instagram é Jessie Inchauspé (França 1992 – ) que com milhões de seguidores converte o mercantilismo da ideia num processo revolucionário de imitação.
As verdades absolutas não existem em ciência, porque ela é um processo em curso, é uma dinâmica que tropeça no próprio método científico que coloca dúvidas constantes. Pedro Russo (Portugal 1977 – ) num artigo da revista Electra número 12 explana a importância da abordagem criativa para a nova ciência, para a importância da partilha dos fracassos, a exposição dos insucessos como caminho evolutivo. Isso dito, conjugando com a brutalidade do afirmado ao início: a regulamentação retirou qualidade em prol da segurança, então estamos a carecer de uma reavaliação de tudo o que a alimentos se tem referido. A diabetes e a obesidade, associadas às demências obrigam a que mude o caminho. O conceito de Alzheimer como diabetes tipo 3 vem de David Perlmutter (EUA 1954 – ) e tem importância para perceber como a regulação criou comida asséptica e lhe acrescentou os venenos dos aditivos e dos açúcares.

