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Opinião: 2025: done and wrapped

30 de dezembro de 2025 às 12 h48
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Vivemos tempos e dias extraordinários. Ao chegar ao quarto deste século XXI, o ano 2000 parece uma realidade distante, tal a sucessão de anos e acontecimentos frenéticos. A “velocidade” da história fez-nos passar por terrorismo global, crises financeiras, guerras e pandemias. Chegados aqui deparamo-nos com uma realidade onde a instabilidade e as crises nos deixam mais questões que certezas. Entre o advento da I.A. e a “massificação” da desinformação, o mundo digital tornou-se simultaneamente omnipresente e distópico, contribuindo para termos um dia-a-dia instável, num mundo interdependente e em permanente mutação.
Olhando apenas para 2025, Portugal ficou marcado por tantos factos que seria necessário não um artigo, mas um almanaque: da crise política e eleições antecipadas provocadas em parte pela Spinumviva, à discussão das novas regras para a emigração e aos bons indicadores da economia. O país paralisou em parte pelo apagão em abril, pelo acidente do elevador da Glória e pelas dificuldades do SNS. A terra tremeu, houve inundações e uma greve geral…. Surpreendentemente a nossa economia portuguesa mostrou resiliência e crescimento acima da média da Zona Euro, impulsionada pelo consumo, investimento (fruto do PRR e Fundos Europeus) e turismo, levando o The Economist a nomear Portugal como “Economia do Ano”. Apesar de projeções iniciais mais cautelosas, o mercado de trabalho manteve-se robusto e a inflação em trajetória de descida.
Querendo olhar para 2026 com otimismo, não posso ignorar as tensões geopolíticas e comerciais globais. Caso o conflito na Ucrânia seja resolvido a favor do povo ucraniano, a Europa poderá entrar num novo ciclo. O desafio europeu é grande, seja no flanco leste e na urgência do rearmamento, seja na competitividade global com os blocos americanos e asiáticos. Como parte da U.E., Portugal deve ter um papel decisivo nalgumas reformas estruturais. Em particular, a discussão do 28º regime é crucial. Para quem não está familiarizado, trata-se de uma proposta de um conjunto de regras legais harmonizadas para empresas na U.E., que visa simplificar a operação transfronteiriça ao criar uma “lei” europeia unificada que coexiste com as leis nacionais, facilitando a criação e crescimento de empresas inovadoras, como um “28.º Estado” virtual, eliminando barreiras nacionais.
As premissas são simples: uma única entidade jurídica europeia, um “padrão” para levantamento de capital (EU–FAST) e um regime de stock options competitivo (EU–ESOP). Ao criar esta mudança, a Europa reduz a fricção, risco e a duplicação, eliminado a “manta de retalhos” de 27 mercados.
Espero que 2026 traga esta e outras mudanças positivas. Aproveito para desejar a todos os leitores um Bom Ano Novo.

Autoria de:

Jorge Pimenta

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