Mas que grande apagão
Surpreendentemente, Pedro Nuno Santos parece que entrou no debate para não perder, em vez de jogar ao ataque
Sentia-se que o debate entre Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos poderia ser, senão decisivo, pelo menos importantíssimo para o desfecho das eleições legislativas que se aproximam. Em especial para o candidato Pedro Nuno Santos, pois o PS vai atrás nas sondagens que, ainda por cima, têm exibido um fosso entre AD e PS cada vez maior.
Surpreendentemente, Pedro Nuno Santos parece que entrou no debate para não perder, em vez de jogar ao ataque para o ganhar. E, como normalmente acontece a quem joga para o empate, acaba por perder. Luís Montenegro deu ares de estar muito melhor preparado, montou uma estratégia competente e profissional, que abalou um Pedro Nuno Santos amorfo e incapaz de reagir. Era ele quem tinha de arriscar, para ganhar. Mas os tiros disparados foram de pólvora seca.
Não se compreende como Pedro Nuno Santos ainda insiste no assunto Spinumviva, com uma ladainha já demasiado gasta, sem trazer qualquer novidade bombástica para a arena do debate. Foi um erro crasso e que permitiu mostrar um Luís Montenegro que tem vida e trabalho para além da política. E ao mesmo tempo vitimizar-se perante os constantes ataques, que os elevou ao nível pessoal, permitindo-lhe que se notasse uma enorme diferença entre quem estava no debate para discutir o país e quem estava para tentar destruir a credibilidade de uma única pessoa.
Outro erro crasso foi ter acusado Luís Montenegro de ter falhado no apagão de segunda-feira, nunca conseguindo explicar uma diferença realmente demonstradora de que teria sido melhor sucedido. Ficou-se, mais uma vez, pelos ataques, em apontar o dedo aos erros comunicacionais. O resultado foi o de permitir a Luís Montenegro dizer que fez tudo o que estava ao seu alcance numa tragédia sem vítimas mortais. E, claro está, quando se mencionam desastres, todos se recordam ainda muito bem dos incêndios e das suas catastróficas consequências. Todo o peso da governação socialista pesou em demasia nos ombros de Pedro Nuno Santos.
O resultado final é que ganhou o debate quem mostrou querer ser mesmo primeiro-ministro, novamente. O fato de moderado é um espartilho que retira a Pedro Nuno Santos o que ele sempre teve de genuíno. E por isso “andou a reboque” de Luís Montenegro, que conduziu o debate com firmeza, objectividade e assertividade. A visível insegurança e intranquilidade de Pedro Nuno Santos fizeram de Luís Montenegro o estadista da sala, o político capaz de governar Portugal.
