AAC chora morte do seu presidente
“Há vidas que se queixam do pouco tempo, há outras que aproveitam o tempo que lhes é dado para o muito que têm para dar.”
As palavras do professor de música Manuel Rocha – que conheceu o presidente da direção-geral da Associação Académica de Coimbra (DG-AAC) ainda menino – juntaram-se a muitas outras que se foram escrevendo nas redes sociais em homenagem a Cesário Silva.
O dirigente faleceu no sábado na sequência de um choque frontal entre duas viaturas ligeiras, ocorrido durante a tarde na estrada nacional 224, no concelho de Oliveira de Azeméis. O acidente causou dois feridos graves, que foram transportados para o Hospital de Gaia. Cesário Silva – que era o único ocupante da viatura – não resistiu aos ferimentos.
O estudante de Engenharia Informática, eleito presidente da DG-AAC em novembro do ano passado, regressava de Arouca, onde tinha participado numa atividade de Team Building e seguia para Coimbra para assistir ao encerramento do XXX Festuna no auditório do Convento S. Francisco. Foi, aliás, durante o intervalo que se soube da trágica morte do dirigente associativo. De imediato foram chegando mensagens, de lamento e de profunda consternação.
Decretado luto académico
Pouco passava do meio-dia de ontem quando João Caseiro, João Diogo e Daniel Aragão, vice-presidentes da AAC, e Daniel Tadeu, presidente da mesa da Assembleia Magna, leram um comunicado, reagindo à morte do amigo.
Coube a Daniel Tadeu a difícil missão de recordar que “o Cesário deu o seu tempo e a sua alma” à AAC, “vivendo a Académica como poucos a viveram e manifestando-se na defesa dos estudantes como poucos o fizeram”.
“Neste momento difícil para todos, em que as palavras faltam e nenhum abraço acalma, a AAC endereça à sua família e amigos as mais sinceras e sentidas condolências, decretando luto académico sem término apontado”, leu o presidente da Magna, visivelmente triste e sem conseguir conter as lágrimas.
Entretanto, o Conselho de Veteranos da Universidade decretou três dias de luto académico (entre hoje e dia 16).
“Acreditava na força da nova geração”
A Universidade de Coimbra (UC) também lamentou, em comunicado, profundo pesar pelo desaparecimento precoce de Cesário Silva, que era membro do Conselho Geral da instituição.
“É um enorme choque para mim, e para toda a comunidade universitária, tomar conhecimento da notícia da partida brutal e prematura de um jovem inteligente, empenhado e profundamente comprometido com as causas da UC e da AAC como sempre foi o Cesário Silva. Trata-se de uma perda devastadora para a Academia e para a cidade. À família e amigos, endereço as mais sentidas condolências”, afirmou o Reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão.
“Acima de tudo, foi um português ético e humanitário, que acreditava na força da nova geração e reconhecia a sua responsabilidade na construção de um mundo mais justo e igualitário”, referiu, por sua vez, a presidente do Conselho Geral da UC, Gabriela Figueiredo Dias.
Estudante na FCTUC, Cesário Silva esteve desde cedo ligado ao associativismo, tendo sido presidente do Núcleo de Estudantes de Informática.
Era ainda presidente do Conselho do Clube Fluvial de Coimbra, onde era atleta de canoagem, modalidade a que se dedicava desde criança, como recordou Manuel Rocha.
“O Cesário saiu agora mesmo daqui – deixa saudades nas águas do Mondego, um caderno inteiro de vontades académicas para cumprir, e um abraço de homem que é, afinal, o do menino”. Tinha (apenas) 24 anos.


