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Professores d(n)o futuro

13 de novembro de 2025 às 11 h55
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Estou expectante com uma sessão online à qual irei assistir hoje: a comunidade de Professores “Professores do Futuro” dinamiza o Webinar: “Ser Professor Hoje: entre o caos, o café e a coragem”, onde se procura perceber como continuar a ensinar, cumprindo com mil outros deveres de Professor, num contexto onde tudo muda de um mês para o outro. A apresentação recomenda “prepara o café e vem ouvir histórias reais de quem acredita que ensinar é o ato mais transformador do mundo”, ouvindo “convidados que inspiram – mesmo depois do toque de saída” (retirado da mensagem de divulgação da sessão).

A expressão “toque de saída” recordou-me que estas sessões, com títulos incríveis, inspiradoras, motivadoras, com leveza e onde se assume a necessidade de ser corajoso para lecionar, não são dedicadas a Professores do Ensino Superior, em particular aos que ensinam em locais onde tudo tem de ser formal, sério, estático, centrado no professor e nos seus interesses de investigação e perceções de pedagogia (des)inspiradas nos modelos pelos quais foram eles próprios ensinados (e que, eventualmente e à data, repudiaram).

Há poucas semanas, alguém, indignado, exclamou que não conseguia dar a sua aula já que “na sala ao lado, andavam a brincar aos métodos ativos de ensino”. Faço estas constatações com (muita!) mágoa, sentindo que nos perdemos algures entre o que era a Universidade e o que pretendíamos que fosse e seu futuro, entre o que aprendemos como estudantes e o que é agora importante ensinar, a centralidade e o protagonismo dos estudantes e o papel relevante que os docentes pretendem continuar a ter. Queremos ser “Professores do Futuro”, “Professores no Futuro” ou “Professores com Futuro”?

Trabalho há cerca de 3 anos com uma mentora – a “blue ocean” Sofia Sá, formadora de docentes do Ensino Superior – que cria vídeos e áudios preparados exclusivamente para nós, materiais personalizados e que se destacam, “Shots de pedagogia”, infográficos inspiradores e torna cada ato de aprender num motivo de interesse, sem um segundo de distração ou em que nos desliguemos desse processo.

Essas sessões permitiram que muitos docentes, com interesses semelhantes, se juntassem (alguns deles aspirantes a “blue oceans”), conversassem numa “Happy Hour” a seguir ao final das sessões, pensando projetos conjuntos e interdisciplinares, no que representa uma oportunidade que, talvez não tendo sido parte da estratégia, fez toda a diferença nesta nova comunidade de prática e cooperante.

Estes são o grupo dos que nunca pararam de aprender, de se questionar, de criar, de avançar. Os que não se desmotivaram a cada revés ou “dia em que não estavam com o mood ideal”. Fazemos as coisas não porque temos sempre vontade mas porque são fundamentais: a consistência dos nossos atos, os compromissos assumidos e a fiabilidade com que os encaramos, o que somos capazes de “entregar” e o momento em que o fazemos, o plano que traçámos e aquilo em que nos empenhamos para “fazer acontecer”. “Get things done”/faz as coisas/mãos-na-massa e não pares!

Autoria de:

Isabel Pedrosa

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