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Opinião: Qual o nome de Deus?

14 de outubro de 2024 às 10 h22
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Afinal Deus tem nome? Será que conseguimos denominar [d(en)ominar] o inefável? Será que conseguimos dizer alguma coisa mais do que permanecer calados diante do mistério?

As palavras são apenas possibilidades de nos dizermos e de nos compreendermos, mas ficam sempre aquém das realidades mais profundas e não esgotam o mistério.

Tentar dizer o que Deus é e qual o seu nome, é começar por dizer o que ele não é.
Bossuet refere-se várias vezes ao «dilúvio da idolatria», ou seja, aos falsos deuses que povoam a nossa imaginação, a nossa oração, a nossa oratória, a nossa catequese. Por isso, precisamos de «re-descobrir Deus», o que Ele diz de Si próprio, de clarificar a imagem de Deus.

Deus não é um juiz injusto, um polícia terrível, um burocrata distante, um comercial ambicioso, um desmancha prazeres…

Deus não brinca comigo às escondidas, nem veste a pele do Super Homem.

Qual o nome de Deus? O que Deus diz de si mesmo? O que a Bíblia diz de Deus?

Efetivamente, na Bíblia encontramos duas passagens fundamentais. A primeira está no Antigo Testamento: «Eu sou Aquele que sou» (Ex 3,14), diz Deus. A segunda está no Novo Testamento: «Deus é Amor» (1 Jo. 4,8), diz S. João.

«Eu sou Aquele que sou» é o nome que o próprio Deus revela a Moisés no monte Horeb ou Sinai e que significa «Eu sou Aquele que está sempre convosco».

Mas mais do que este Deus que está sempre connosco (AT) o nosso Deus é Amor (NT). Esta certeza de que Deus é Amor é a verdadeira imagem de Deus. É a única resposta que podemos dar à pergunta – «quem é Deus?».

Não se trata de um amor teórico ou superficial, mas procede da experiência concreta da vida. Foi essa a experiência feita pelos primeiros cristãos e que significa «Deus é apenas e só Amor» tudo o mais são atributos desse Amor (o Seu Amor é que é misericordioso, compassivo, trinitário, todo poderoso, como o de um pai).

Mas à pergunta – Qual o nome de Deus, rapidamente se junta a pergunta – Deus pode tudo? A resposta radical deverá ser – não! Deus não pode tudo, não pode a violência, a vingança, a indiferença…

Se Deus não pode tudo então o que pode Ele? Deus não pode tudo só pode o que o amor pode. Ou seja, Deus só pode ter ações e atitudes de amor.

Esta é a única afirmação que torna possível dizer que Deus não é o autor da guerra, do mal e do sofrimento. De facto, Deus não é o Todo Poderoso que tudo pode. Senão, como é que era possível acreditar num Deus Amor quando há tanto sofrimento e tanta gente inocente que morre? Deus só pode o que o amor pode, o Seu Amor é que é todo poderoso.

Autoria de:

Nuno Santos

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