Opinião: Portugal e o que ainda estará para vir
Em datas próximas, uma Fundação e uma Escola Superior, cada uma a cada uma, apresentaram um estudo sobre matérias distintas, mas, como quase tudo na vida, complementares.
O estudo da Fundação diz respeito ao problema da abstenção em Portugal e como resolver.
O estudo de uma Escola Superior diz respeito a um programa escolar que conclui que 41% dos adolescentes dos 16.000 alunos avaliados tem sintomas de depressão e 26,5% tem sintomas moderados ou graves.
No estudo da fundação, conclui-se que para resolver o problema da abstenção, a idade mínima para votar seria os 16 anos.
No entanto, no mesmo estudo é afirmado que apenas 17% dos inquiridos se demonstraram favoráveis à redução da idade do voto.
Ora, se estudo da Escola Superior conclui que há uma elevada taxa de alunos que sofre de depressão, significa que daqui a poucos anos Portugal será – ainda não é? – um manicómio a céu aberto!
Não duvidando da qualidade dos estudos que de certeza absoluta foram seguidos e elaborados por pessoas cuja competência está acima de qualquer suspeita, sou levado a concluir que, eventualmente, os dois, ou um dos dois, estará errado. Ou melhor, será necessário um complemento dos estudos para serem e parecerem mais credíveis.
Em toda a nossa história os cidadãos não conseguiram viver um século em democracia.
Assim sendo, chegamos à conclusão, clara, que todos estamos mais do que habituados a obedecer. Uns, mais cegamente do que que outros, mas a obedecer!
Por isso, “voto obrigatório, já”!
Há coisas que na Terceira República se assemelham à Primeira República; os primeiros, herdaram políticas clientelistas da ditadura e os segundos herdaram políticas clientelistas da monarquia. Nada mais óbvio!
Chegados a 2025, poderemos concluir que, se o voto dos jovens é agora maioritário no Partido CHEGA.
Se se verificarem as conclusões do estudo da Escola Superior, daqui por uns anos teremos a votar um conjunto enorme de pessoas com depressão!
Estará o Estado, agora, preparado para dar resposta?
O POVO teve um intervalo de 50 anos para pensar primeiro, analisar, decidir e votar.
Tendo analisado o estudo da Fundação “ao de leve” e na “diagonal”, os políticos do sistema – todos sabem o que é – apanharam um valente susto.
Se sabemos que a linha férrea perdeu 1000 kms em 50 anos, se verificamos com espanto o estado calamitoso da saúde, em que 3 hospitais em Lisboa não conseguem acudir a um bébé que tem de vir para a “capital Coimbra”; se sabemos que a escola pública deixou de ser uma organização para se “limitar a paredes e telhados” onde professores muito dignos e qualificados “carregam uma cruz imensa” em nome de todos nós; se olhamos para a justiça que protege os poderosos e castiga os mais pobres; se “engolimos” um grito de revolta porque os nossos filhos e netos não têm uma casa para viver; se para nos deslocarmos numa cidade de média dimensão temos de usar o automóvel porque o transporte público, ou não existe ou é medíocre, e por fim, nos deliciamos com a medíocre prestação da generalidade dos autarcas que vão ao votos no dia 12, eu direi, “arre porra que é demais”!
Vá lá, vá lá, estamos quase livres do “inquilino da casa cor de rosa”! O tal que corta a sebe com corta unhas! Já não é mau!
Respeite-se o POVO que somos!

