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Opinião: O primado da moral

20 de fevereiro de 2026 às 11 h56
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Há muitas pessoas que se avaliam como os padrões da moral. Depois deles só há escuridão. Chamo a esta gente de Marcos. O pendor da decisão é diferente quando passa por eles. Ninguém lhes ensinou o valor da vida humana, ninguém lhes explicou a importância da determinação de cada um, nunca fizeram formações em adaptação ao imprevisto, não conhecem a realidade especifica de que vão falar, mas terão opinião e galgarão o previsível na sofisticação da sua certeza. Os Marcos sabem tudo e definem os comportamentos alheios. Nunca têm dúvidas. Pesam o valor moral. Medem as convicções dos outros. Estão seguros da ignorância alheia.
Na realidade a moral, como a ética e como tudo o mais, é directamente dependente das circunstâncias. Por isso existem mentiras piedosas. Por isso há crimes que dificilmente criticamos. Por isso há canalhas que fizeram mandatos impunes, há sacerdotes que achamos bandidos. A moral e a ética estão dependentes do momento histórico, da ideologia reinante, da convicção religiosa, do estado de saúde do cidadão.
Os arautos da moral, os que definem os outros, devem por tudo isto perceber como o seu engano está nas fronteiras mais ténues do mundo. São fronteiras de papel nos momentos de chuva. O único mecanismo de controlo da postura é ouvir várias pessoas, ter diversas visões e depois escolher com convicção, mas sempre certo de que se pode ter enganado.
A imposição de que se é mais preocupado que os demais é logo em si uma falácia. A certeza de que a nossa experiência nos dá garantias é a incompreensão de que há maiores e mais vastas certezas perto de nós.
A utilização do particular para discutir o global é outro erro comum. A experiência única não transporta nenhum padrão, podendo ser importante para conhecimento e preparação. Os Marcos estão em todos os empregos do mundo. Os Marcos aborrecem todas as tarefas e trabalhos, mas são importantes para nos alertar as regras e os detalhes. Se trabalhassem tanto como falam precisávamos de menos gente nas repartições.
As regras desenhadas por Marcos normalmente são pouco flexíveis e provocam constrangimento às funções. Os protocolos servem para nos ajudar, mas não devem substituir o conhecimento e a experiência. Por isso a adaptação ao imprevisto é um factor de avaliação na função pública. Os Marcos não percebem porquê!

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