Da Farraparia ou Rasganço
A famosa Praxe de rasgar a Capa e Batina no fim do curso tem registos a partir dos finais do Séc. XIX mas pensa-se que o hábito terá começado algumas décadas antes. Durante os tempos do rígido Foro Académico e subsequente Polícia Académica, as regras respeitantes ao uso do uniforme Académico eram intransigentemente aplicadas, com estudantes a serem matriculados na Prisão pelo simples facto de não abotoarem correctamente a Batina (sem direito a isenção de propinas!). Nesta altura, a Capa e Batina era tanto usada como odiada pelos próprios Estudantes, pelo que não surpreenderá saber que a Farraparia (o rasgar das vestes universitárias) começou como sendo um acto de contestação às rígidas regras da própria Universidade ou em revolta dos chumbos acumulados “injustamente”, conforme a ótica do visado.
Era um gesto de libertação da opressão Catedrática e Verdeal. Com a chegada do séc. XX e com o aliviar dos tempos e customes, a Farraparia ganha novos contornos. Deixa de ser feita como um gesto de contestação e adopta motes celebrativos, não exclusivamente do formado, mas também dos primeiranistas Caloiros que, com a conclusão do curso do novo Doutor, se viam livres do jugo da Praxe e podiam pagar, com úsura, as praxes que sofreram pelas mãos deste.
Esta farraparia tinha particular expressão na Faculdade de Direito. No dia do último acto (formatura), os Caloiros faziam uma espera aos Quintanistas à saída do seu exame final com a finalidade de lhes rasgar as vestes Académicas, já que o formado, por ter concluído o curso, não os podia praxar de volta. Rasgava-se tudo, sobrando somente os colarinhos, punhos, meias, sapatos e a capa, para que o rasgado pudesse regressar a casa com alguma dignidade.
Um gesto curioso desta altura é que havia Estudantes que aproveitavam a Farraparia para renovar o uniforme! Antes do cravar de unhas trocavam de roupa com o formado: “Troca as calças pelas minhas, que estas já vêm com buraco! Dá-me a tua Batina e rasga a minha que já não me serve…!
