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Celebrações

24 de junho de 2026 às 08 h45

Embora não se conheça documentação que o comprove, vários historiadores sustentam que Luís Vaz de Camões estudou em Coimbra. Talvez ainda adolescente, no final dos anos 30 do século XVI, terá tido as portas dos Estudos Universitários franqueadas por seu tio, D. Bento de Camões, cónego do Mosteiro de Santa Cruz e Cancelário da Universidade – recém transferida para Coimbra (em 1537) pelo Rei D. João III.

 

Também não existem provas de que Camões foi, em Coimbra, um estudante sedutor. Mas a lenda afirma que sim, e coloca-o a namorar donzelas em plena Romaria do Espírito Santo, frente à Igreja de Santo António dos Olivais.

 

Deste modo (até eternizado em filme de Leitão de Barros que concorreu ao primeiro Festival de Cinema de Cannes em 1946), o nosso poeta épico foi um dos que contribuíram para tornar famosa a Romaria que, embora com cariz diferente, se realiza todos os anos por esta altura.

 

De facto, apesar de Coimbra ter a Rainha Santa Isabel como Padroeira, continua a respeitar as arreigadas tradições de celebrar os santos populares. É certo que estes festejos são de cariz “mais futrica”, mas sempre tiveram a entusiasmada participação dos estudantes.

 

Ora é na senda desta tradição, que a AAEC (Associação dos Antigos Estudantes de Coimbra)  volta a promover no próximo sábado, a partir das 13 horas, na sua sede (Rua Pinheiro Chagas, nº 94), um arraial / sardinhada.

 

A pretexto de Santo António, de São João e de São Pedro, espera-se um convívio bem saboroso e animado – até porque mesmo os não crentes acreditam na bondade da confraternização e da sardinha assada…

 

Os interessados em participar podem ainda fazê-lo, inscrevendo-se através do e-mail aaec@aaec.pt, ou pelo telefone 916867216.

 

…..

 

Escrevo estas linhas a 22 de Junho, exactamente 57 anos depois da célebre final da Taça de Portugal disputada por Académica e Benfica. E embora a Briosa tivesse perdido (por 2-1, com golo de Eusébio no prolongamento), ganhou a admiração de Portugal não só pelo futebol jogado, mas também por ter aproveitado o desafio para mostrar ao País a sua solidariedade com os estudantes em “luto académico” – muitos deles ousando exibir, nas bancadas do Jamor, cartazes com críticas ao regime político que dominava Portugal desde 1926.

 

Este episódio foi recordado há dias na homenagem a Augusto Rocha, actualmente com 91 anos, que foi um dos protagonistas dessa final da Taça. Aliás, na consensual figura de Rocha se homenagearam todos os que participaram nesse jogo e sucessivas gerações de jogadores-estudantes, alguns dos quais estiveram agora a abraçar “o pequeno tigre”.

 

E já que citei a Crise Académica de 1969, parece-me pertinente referir que no próximo sábado, pelas 16 horas, na Feira do Livro de Coimbra, será apresentado o volume intitulado “Adriano – A Obra”, com intervenções do autor, Octávio Fonseca Silva, e do editor, José Moças. Um excelente trabalho, que vem acompanhado de cinco cd’s com a carismática voz de Adriano a entoar canções que foram estímulo para as lutas estudantis – e de todos os que ansiavam por uma sociedade mais justa.

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