Opinião: O empresário, exemplo que vem de Espanha
A entrada de 2026 poderá significar, ano de mudança(s), ficar tudo na mesma, ou “evolução na continuidade”.
Tudo é transversal à nossa actividade enquanto cidadãos, mas também o deverá ser para os decisores políticos dos mais variados domínios.
Sabemos agora que, o orçamento para o desporto foi o mais baixo de sempre no orçamento geral do estado. O que se lamenta.
É de apoio ao desporto, à sua prática que hoje terei oportunidade de escrever, sobretudo no que diz respeito àquilo que se denomina como “responsabilidade social das empresas”, que se estuda, mas não se pratica. “As excepções confirmam a regra”!
A nossa vizinha Espanha é pródiga em nos surpreender, ou talvez não, dado que a cada problema tentam encontrar uma solução. Por vários tipos de razão, em Portugal, “em cada solução encontramos, ou arranjamos, um problema”!
O dono de uma grande superfície espanhola, a qual tem duas instalações em Coimbra, resolveu oferecer à sua terra natal, Valência, uma arena desportiva que custou, números redondos – sente-se por favor que eu não quero ser acusado de homicídio por negligência – 400 milhões de euros.
Uma barbaridade, dirão uns, elementar justiça, dirão outros…e eu, o que poderei dizer? Nada. O silêncio é a melhor forma de me exprimir perante esta enorme manifestação de solidariedade, amizade e amor.
Eu sei, todos sabemos, que em Portugal não existe deste tipo de cidadãos, no que ao desporto diz respeito.
É uma critica? Não. Não é. É a constatação de uma realidade. Portugal não é como a nossa vizinha e também não segue o exemplo dos vários países que connosco compõem a União Europeia.
Seremos sempre nós, estes abandonados à sua sorte até que Deus um dia se lembre que por aqui ainda há uma gente que trabalha, que respira, que se voluntaria, que espera, sempre em esperança desde 1128, no assumir do velho ditado que diz; “quem espera sempre alcança”!
Como não sou adepto deste ditado, e porque quem espera nunca alcança, tenho de me manter firme e hirto, e continuar até que a “morte nos separe”…a mim e à vida! Tudo metafísico!
Coimbra não precisa que um mecenas, só ou acompanhado, construa uma ou várias instalações desportivas com esta dimensão financeira.
Coimbra precisa de mais instalações desportivas para as várias modalidades, para que possam exercer a sua actividade. Só desta forma aumentaremos a oferta desportiva, só desta forma conseguimos ganhar mais pessoas para o voluntariado, só desta forma, também e sobretudo, nos obriga a trabalhar para melhorar a performance desportiva dos nossos jovens.
Haverá voluntários? Tenho dúvidas. Mas não tenho nenhuma dúvida que há empresas que o poderiam fazer!
Eu sei que a prática desportiva não é muito simpática para algumas organizações.
Mas nada disto me aborrece ou entristece. O que me entristece, é que o Estado alinha nestas lógicas quando, como escrevi antes, baixa exponencialmente o apoio às instituições que têm como obrigação desenvolver o desporto no país.
Principalmente também, quando o Estado não consegue resolver o problema de “selvajaria” que se passa nos campos de futebol e outros; quando somos todos a pagar a “caixa” que leva os adeptos – selvagens deverá ser a designação – quando se deslocam, protegidos pela polícia de intervenção.
A senhora Tatcher resolveu o problema castigando os prevaricadores.
Já agora uma proposta; identifique-se quem vai nas “caixas” e obrigue-se a apresentar em esquadras quando estiver a decorrer um jogo.
