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Opinião: Forno belga

03 de julho de 2025 às 12 h11
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Esta terça-feira foi não só o dia mais quente do ano, mas também o 1 de julho mais quente da Bélgica desde que há registos – 1833. Para quem fugiu dos 40 graus abrasadores de Coimbra à procura de um verão mais ameno, a Bélgica talvez não tenha sido o plano mais esperto.
Como costumo dizer: o verão é curto, mas é um pesadelo: duas semanas de inferno que, ano após ano, conseguem sempre superar as anteriores. E todos os anos parece que ninguém estava à espera.
Teoricamente, já sabíamos que os verões iam aquecer. Na prática, ninguém se inquietou muito. Resultado: estamos a assar em apartamentos virados a sul, sem estores, com janelas que abrem só até meio – num país onde aquecer é prioridade e onde o ar condicionado é visto como um capricho.
As casas, construídas para reter o calor durante o rigoroso inverno belga, transformaram-se em fornos urbanos. Entre o aquecimento global e a teimosia arquitetónica, o norte da Europa vai aprendendo a suar em bloco.
A cidade tenta adaptar-se: emitem-se alertas laranja, recomenda-se teletrabalho, distribuem-se dicas de sobrevivência nos média. O ritmo abrandou. Há menos gente nas ruas, crianças (e adultos) refrescam-se nas fontes, e seria capaz de apostar que até a criminalidade diminui (embora sem dados oficiais).
Consequências: comboios cancelados, linhas sobreaquecidas, sistemas de ventilação colapsados. Até o Atomium, ex-libris da cidade, passou a fechar às 13h devido às temperaturas atingidas nas suas esferas de aço, de fazer inveja a uma sauna finlandesa.
O belga resiste com o seu estoicismo habitual: “ça va aller”, dizem, com o suor a escorrer. E vamos indo. Até ao próximo pico de calor. Para o qual, claro, leram primeiro aqui, ninguém vai estar preparado.

Autoria de:

Catarina Moleiro

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