Opinião: Escolas sem telemóveis
Acabaram-se os smartphones nas escolas de Bruxelas e da parte francófona da Bélgica. A medida foi oficialmente aprovada (em tempo recorde) na semana passada e vai ser implementada a partir do próximo ano lectivo. Os alunos podem possuir tais equipamentos, desde que estejam desligados e guardados, a partir do momento em que entram no estabelecimento escolar.
O uso recreativo de telemóveis e outros equipamentos electrónicos vai ser interdito em todos os graus de ensino até ao secundário. O objectivo é melhorar a qualidade da aprendizagem e os níveis de concentração dos estudantes, para além de promover um ambiente escolar mais são. A Federação Valónia – Bruxelas dá desta forma seguimento às recentes recomendações da Organização Mundial de Saúde e da UNESCO. Para o Ministro da Saúde desta região, a hiperconectividade dos alunos é actualmente um dos maiores desafios de saúde pública.
A utilização destes equipamentos continua no entanto salvaguardada para alunos com necessidades especiais e para fins pedagógicos. Em termos práticos, cabe às instituições de ensino determinar os aspectos práticos desta interdição, assim como as eventuais sanções, estabelecendo-as por meio de regulamento.
São já alguns os países que implementaram medidas semelhantes nas suas escolas: França, Finlândia, Itália e Países Baixos. Em Portugal, o Governo recomendou em Setembro a proibição do uso e entrada de telemóveis em escolas do 1.º e 2.º ciclo – até agora apenas 2% dos agrupamentos de escolas proibiram a utilização de smartphones.
Espera-se, entre outros, a redução do sedentarismo e das perturbações de sono, prevenção do “cyberbullying” e maior equidade. Veremos se as gerações vindouras vão ainda valorizar verdadeiras interacções físicas e uma vida social “no mundo real”.
