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Opinião: E depois de Maduro

09 de janeiro de 2026 às 12 h59

A acção dos Estados Unidos que conduziu à prisão Nicolás Maduro fez soar alarmes na Europa quanto às ambições territoriais da administração Trump. Tanto, que as autoridades dinamarquesas e da Gronelândia solicitaram uma reunião urgente com o secretário de Estado, Marco Rubio. É já na próxima semana que se vão sentar à mesa e discutir o futuro daquela ilha, rica em minerais e pouco povoada (57 mil habitantes) e que Donald Trump diz ser essencial para a segurança nacional dos EUA. O presidente Trump quer assumir o controlo da Gronelândia; esta, por sua vez, diz que isso não passa de uma “fantasia”; e a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, instou Trump a «parar com as ameaças», pelo que a reunião vai ser tudo menos fácil.

Desde logo porque a intenção dos EUA é muito séria, estando dispostos a comprar a Gronelândia (já houve essa tentativa durante o primeiro mandato de Donald Trump) e, apesar de dizerem que a diplomacia é a primeira opção, não afastaram ainda a opção de uma intervenção militar. Parece que está tudo em aberto, “em cima da mesa”, sendo que a Dinamarca já afirmou que, para ela, a NATO acaba no dia, se vier a acontecer, em que os EUA decidam atacar a Gronelândia.

Este cenário é o pior de todos, pois a reacção europeia seria limitada, a ilha não é fácil de defender, de enorme que é e com as poucas infraestruturas militares que possui. Depois, porque provavelmente seriam desencadeadas outras invasões à “mesma” escala, a começar pela Rússia a entrar em força pela Ucrânia adentro.

Outro cenário horrível é o de retaliações económicas, que podem “estrangular” a Gronelândia, que se tem dividido entre a ambição de ser independente do Reino da Dinamarca e ao mesmo tempo rejeita as “propostas” dos EUA. A ilha que, desde 2009, se autogoverna (as competências dinamarquesas cingem-se às políticas externas e de defesa), certamente que agora não vai querer levar por diante o referendo que poderá ditar a sua completa independência (a maioria dos partidos apoiam e fazem campanha pela independência), pois isso significaria ficar “à mão de semear” dos EUA.

É patente e por todos reconhecido que, nos últimos anos, Rússia e China aumentaram as suas actividades militares no Ártico, de tal modo que hoje poderiam lançar mísseis e atingir os EUA (sobrevoando a Gronelândia), pelo que não é descabido o que Trump disse aos jornalistas há dias (a bordo do Air Force One) sobre o seu posicionamento estratégico de segurança nacional. Apesar de, agora, vários líderes europeus se mostrarem preocupados sobre o povoamento de navios russos e chineses junto à Gronelândia, as suas declarações de alcançar colectivamente a segurança no Ártico podem cair em “saco roto” se a Casa Branca não tiver controlo total sobre a Gronelândia para se defender.

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