Incêndios: Comandante na região Centro da Proteção Civil não tem conhecimento de negócios ilícitos
Fotografia: DR
O comandante regional do Centro da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) garantiu hoje não ter conhecimento de negócios ilícitos associados à prevenção ou combate de incêndios rurais e sublinhou não lhe terem sido transmitidas preocupações nesta matéria.
“Não é do meu conhecimento a existência de negócios porventura ilícitos relacionados com a prevenção e combate a incêndios rurais, nunca tendo estado na minha esfera de ação quaisquer procedimentos administrativos de adjudicação de meios e materiais de combate ao fogo”, destacou Francisco Peraboa.
O comandante regional do Centro da ANEPC foi ouvido, ao final da manhã, durante aproximadamente uma hora e meia, na Comissão Parlamentar de Inquérito aos negócios dos incêndios rurais.
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Perante várias questões dos deputados sobre eventuais interesses económicos associados aos incêndios, relacionados com meios aéreos, exploração de madeira ardida ou contratos de equipamentos, Francisco Peraboa negou ter qualquer conhecimento nesse sentido.
“Não tenho provas que me digam se há negócios por detrás dos incêndios, pelo menos nesta vertente negativa da existência de negócios por detrás dos incêndios. Obviamente que os incêndios rurais geram mercado, há um negócio relacionado com os incêndios rurais, mas, do ponto de vista negativo, eu não tenho conhecimento da sua existência”, referiu.
Ao longo da audição, o comandante regional do Centro da ANEPC prestou esclarecimentos sobre a organização do dispositivo operacional, bem como sobre a coordenação de meios e os desafios do sistema de proteção civil.
Aos deputados identificou os principais fatores da complexidade dos incêndios rurais da Região Centro, essencialmente relacionados com as características do território, condições meteorológicas e número de ignições, apontando também que a orografia do território e o despovoamento do interior dificultam a resposta operacional.
Sobre as maiores dificuldades encontradas no combate aos incêndios que assolaram a região Centro em 2025, esclareceu que “são sempre da gestão dos meios e dos recursos”.
“Os meios e os recursos são sempre finitos, por mais que coloquemos meios e recursos no sistema, eles acabam sempre por ser finitos quando o número de ocorrências não para de acontecer, principalmente nos dias de maior perigosidade”, sustentou.
Para este responsável, o sistema de proteção civil tem capacidade de resposta, embora sujeito a forte pressão quando há simultaneidade de ocorrências.
“O sistema funciona, mas funciona sob pressão e com necessidade constante de reajustamento”, alegou, explicando que a gestão de meios exige constante reavaliação no terreno.
Ao longo da sua intervenção, Francisco Peraboa mencionou também que a maioria das ignições tem origem humana, defendendo a necessidade de reforço da prevenção e da educação das populações.
“É fundamental investirmos na educação das pessoas, preparando-as para as novas realidades, mais gravosas, com maiores dificuldades, com maior rudeza no tempo. Já não temos as ondas de calor de dois, três, quatro dias: o ano passado tivemos mais de três semanas seguidas e as pessoas têm de estar atentas, não apenas aos incêndios rurais, mas à questão da própria saúde”, frisou.
Questionado sobre eventuais falhas no Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP), o comandante regional do Centro da ANEPC clarificou que não reportou “falhas estruturais”, embora se tenham verificado “falhas pontuais”.
“Não reportei falhas estruturais do SIRESP. Obviamente há falhas pontuais relacionadas com a sobrecarga que, muitas vezes, existe pela sua má utilização em teatros de operações, mas essas questões são tratadas diretamente com os seus utilizadores”, concluiu.

