Filho mantém denúncias sobre o caso da mãe deitada no chão das Urgências dos HUC
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“Mantenho o que escrevi desde o início”, afirmou hoje ao DIÁRIO AS BEIRAS João Gaspar, o filho que denunciou publicamente a situação vivida pela mãe, doente oncológica em fase terminal, nas urgências dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC).
O emigrante, regressado de França para acompanhar a mãe, de 59 anos, reafirma o seu relato de que “não havia maca disponível” quando chegou ao hospital, após ter transportado a mãe num carro particular. “Ela gritava de dores e queria atirar-se ao chão”.
Numa publicação partilhada nas redes sociais, João Gaspar afirmou ter vivido “um momento de desespero e impotência” no passado dia 8 de janeiro de 2026.
“Escrevo este texto como filho, não como especialista ou político”, escreveu, explicando que a mãe, com cancro abdominal generalizado e mobilidade reduzida, foi transportada deitada no banco de trás do carro, depois de o 112 comunicar que não havia ambulâncias disponíveis e de não ter conseguido contacto com a linha SNS24.
Segundo o seu relato, à chegada ao hospital “não havia macas”, e “a única resposta foi uma cadeira de rodas”. “A minha mãe gritava com dores, estava desesperada e queria atirar-se para o chão”. Face à falta de alternativa, João Gaspar e um familiar deitaram a doente no chão, sobre uma manta. “No chão de um hospital, em 2026”, lamentou.
O filho criticou o que considera ser “a falta de organização e humanidade de um sistema que empurra as famílias para decisões impossíveis”. Sublinhou, no entanto, que não culpa os profissionais de saúde, reconhecendo o seu esforço: “Muitos estão exaustos, sem meios. O que está mal é o sistema.”
Apesar da repercussão pública, João Gaspar disse ao DIÁRIO AS BEIRAS que não planeia avançar com uma queixa contra a estrutura de saúde. “Prefiro que, com as custas do processo, a ULS compre uma maca”, afirmou.
ULS de Coimbra nega falta de macas
Entretanto, a Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra reagiu ao caso, considerando necessário “esclarecer os factos com base nos registos clínicos e testemunhos dos profissionais envolvidos”.
Em comunicado, a ULS rejeita a acusação de que a doente tenha ficado deitada no chão por falta de macas, assegurando que “tal não corresponde à verdade”. Segundo a nota, após a chegada aos HUC, foi disponibilizada uma cadeira de rodas, tendo a doente “entrado acompanhada e sentada”, enquanto um familiar “regressou ao carro, trouxe uma manta e anunciou a intenção de fotografar e divulgar imagens”.
O comunicado acrescenta que “a equipa interveio de imediato quando o bombeiro de serviço alertou que a doente iria deitar-se no chão” e sublinha que a paciente foi sempre triada com prioridade clínica laranja (muito urgente) nas duas vezes em que recorreu ao hospital, tendo sido “avaliada, medicada e acompanhada de acordo com as boas práticas e protocolos em vigor”.
A ULS de Coimbra defendeu os seus profissionais, frisando que “atuam com profissionalismo, humanidade e respeito pelos doentes, mesmo em condições de elevada pressão assistencial”. E concluiu reafirmando o compromisso “com a verdade dos factos, a qualidade dos cuidados e a defesa do SNS e dos seus profissionais”.

Gostaria Que chegaste ao João Gaspar que aconteceu exactamente a mesma coisa à minha mãe, doente oncológica, em fase terminal, em 2018, e enfermeira toda uma vida, no hospital de Cascais porque estando a Sra pele e osso acharam que podia ficar apenas sentada numa cadeira, sem prioridade, aos 81, horas a fio! Tive tanta vergonha que nunca o denunciei mas hoje faço questão que a sua denúncia não passe por um mal entendido!..