Do mundo para Coimbraopiniao

Coimbra, A Bela Adormecida

25 de maio de 2026 às 08 h45

Juntei-me este fim de semana em Coimbra para celebrar 30 anos da conclusão do curso jurídico. Éramos muitos e a esmagadora maioria veio para Coimbra estudar e, como tantos, partiu. O reencontro foi ocasião especial para celebrar a singularidade desta cidade, que quem nela nasceu e habita muitas vezes tem dificuldade em perceber…

Há cidades que se visitam. Coimbra, porém, habita-se para sempre. Mesmo quando dela se parte, permanece acesa numa esquina da memória. Coimbra não é apenas pedra, rio e colinas: é uma forma de sentir o tempo, de aprender a juventude e de guardar saudade.

Ao longo de séculos, a Universidade de Coimbra moldou gerações vindas de todas as geografias, unidas pelo mesmo espanto ao subir as escadas da Alta, ao ouvir o eco das capas negras nas ruas estreitas, ao descobrir, entre livros e serenatas, que estudar também é aprender a sonhar. Em Coimbra, cada estudante deixa uma parte de si e leva consigo um idioma invisível feito de amizade, descoberta e pertença.

Há qualquer coisa de eternamente humano nesta cidade pousada sobre o Mondego. Talvez porque Coimbra ensina que o conhecimento não vive separado da emoção. A ciência convive com a guitarra, a reflexão com a boémia, o rigor académico com a delicadeza da memória. E é precisamente esse património emocional – único e irrepetível – que constitui desde sempre um dos maiores ativos da cidade.

Milhares de antigos estudantes espalhados pelo mundo continuam ligados a Coimbra por um vínculo afetivo, como quem guarda a terra onde aprendeu a ser adulto. Essa comunidade invisível é uma força extraordinária de projeção nacional e internacional. Poucas cidades possuem embaixadores tão apaixonados. Valorizar Coimbra é, por isso, valorizar uma marca cultural de prestígio universal, capaz de atrair talento, turismo, investimento e criação artística.

Porque Coimbra não termina quando acaba o curso. Coimbra continua inteira dentro de quem por lá passou. E a Queima das Fitas deveria ser como o Natal, todos os dias!

Deixe o seu Comentário

O seu email não vai ser publicado. Os requisitos obrigatórios estão identificados com (*).


Últimas

Do mundo para Coimbra

opiniao