Briiiooosa
Há tardes que devolvem a uma cidade aquilo que lhe pertence. Sábado, 16 de Maio, foi uma delas. A Académica venceu o Trofense por 3-0, no Estádio Cidade de Coimbra, e garantiu o regresso à II Liga depois de quatro épocas no terceiro escalão. Mais do que três pontos, foi um reencontro: 26.356 espectadores nas bancadas (um novo recorde absoluto da Liga 3) disseram, em uníssono, que esta camisola continua a ser parte do código genético da cidade.
A subida não chegou por acaso. A equipa de António Barbosa perdeu apenas dois dos catorze jogos da fase de subida. Há uma semana, em Mafra, esteve a perder 3-0 e empatou 3-3, segurando o lugar de promoção directa quando muitos já tinham desistido. É essa a marca de uma equipa que se parece com a cidade que representa: resistente, teimosa, capaz de acreditar quando o resultado parece dado.
Coimbra precisava disto. Não pelo futebol em si, mas pelo que o futebol arrasta consigo: a economia local nos dias de jogo, a visibilidade nacional, o orgulho dos bairros, a memória dos estudantes que passaram pela cidade e levaram a Briosa para todo o país e para o mundo.
Um clube com este peso histórico não pode estar arredado dos campeonatos profissionais. O lugar da Académica é entre os pares que ajudou a construir. Começa agora a parte mais difícil: consolidar. A II Liga é exigente, financeiramente e desportivamente.
Mas Coimbra demonstrou, no sábado, que está disponível para empurrar. Cabe-nos a todos, sócios, adeptos, instituições, autarquia, transformar este momento num ciclo de progresso.