Evento em Coimbra foca em tecnologias ligadas ao futuro da Internet
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Um evento de tecnologia quer criar na zona de Coimbra uma comunidade de interessados em temáticas como Web3 e Blockchain, conceitos que podem influenciar a forma como a Internet é utilizada.
A iniciativa, denominada Coimbra.Blockchain, é promovida pela JeKnowledge, a Júnior Empresa da Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade de Coimbra, com o primeiro episódio (momento de encontro) da quinta edição agendada para 19 de fevereiro, na Pink Room, em Coimbra.
A ideia é reunir pessoas com interesse no ecossistema Web3 e divulgar conhecimentos sobre as tecnologias inseridas, como a Blockchain, tendo como público-alvo iniciantes (estudantes do setor ou interessados), mas também especialistas.
“É importante chamar as pessoas que tenham o mínimo de interesse nesta área e realmente perceber quem são os interessados na zona [de Coimbra], para criarmos uma comunidade sólida e estabelecida”, explicou hoje o organizador do evento, Alexandre Faustino.
Em declarações à agência Lusa, salientou que o evento quer desmitificar estes conceitos informáticos, num contexto em que “o futuro vai partir muito por essas tecnologias”.
“Muitos estudantes, que têm interesse nesta área e são, se calhar, futuros trabalhadores desta área, infelizmente nas universidades [que frequentam] não há conhecimento teórico, não há aprendizagem teórica o suficiente” sobre a matéria, lamentou.
Através de conversas que combinam uma visão crítica sobre o impacto do setor com uma abordagem técnica, o evento procura promover literacia tecnológica, pensamento crítico e a partilha de conhecimento dentro da comunidade.
À Lusa, explicou que Blockchain é uma espécie de base de dados, com “um nível de criptografia gigantesco” e incorruptível, remodelando significativamente o armazenamento e a transação destes dados.
Uma empresa fraudulenta, que trabalhe com uma estrutura de dados normal, “consegue plenamente alterar os dados que estão lá escritos”, mas se esses dados “forem sobre uma Blockchain, não podem ser alterados”, em nenhuma circunstância.
A ferramenta poderia trazer “imensos benefícios” para as eleições governamentais, já que é imutável e impossível de falsificar, e atualmente tem sido utilizada nas criptomoedas, como a bitcoin, e em mercadorias.
Se “um barco carregado de mercadorias sai de um porto e é registado uma Blockchain de uma empresa [com o número de itens]”, quando esse barco chega a outro porto “é impossível de mudar aqueles valores que estão nessa Blockchain”, exemplificou.
Outro conceito é a chamada Web2, na qual está baseada “toda a Internet que nós conhecemos” hoje, desde o e-mail até às redes sociais, passando pelo Google, cujo novo patamar desenvolvido foi intitulado de Web3.
“Enquanto nos sistemas tradicionais existem entidades reguladoras de tecnologias, porque são tecnologias que podem ser mutáveis [com possibilidade de alteração de dados], a Web3 foi construída de tal forma que não é necessário existir nenhuma entidade reguladora”, vincou.
A própria tecnologia possui mecanismos que regulam automaticamente a forma como os usuários interagem uns com os outros, de forma segura, descentralizando a propriedade e o controle de dados online.
Como elucidou Alexandre Faustino, a Blockchain serve de base para a construção da Web3.
Além destes temas, os oradores irão abordar no dia 19 questões como ‘smart contracts’ (ferramenta que executa, gere e regista atividades de forma autónoma, de acordo com termos contratuais pré-definidos) e moedas digitais.
A ocasião será também marcada por momentos de ‘networking’, num “ambiente descontraído”.
O Coimbra.Blockchain vai realizar mais dois episódios, em abril e junho, e ‘workshops’, com datas ainda não definidas, onde os interessados vão colocar os conceitos em prática.
A participação em todas as atividades é gratuita, mas carece de inscrição prévia, através do ‘link’ https://luma.com/r3omnvnh.
O primeiro episódio está limitado ao acesso de 100 pessoas.

