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António Morgado tenta segunda vitória seguida na Clássica da Figueira

14 de fevereiro de 2026 às 10 h36
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Arquivo UAE Team Emirates

O ciclista português António Morgado (UAE Emirates) tenta hoje repetir o triunfo na Clássica da Figueira, numa quarta edição que sofreu muitas alterações devido ao mau tempo que afeta Portugal.

Morgado vai partir com o dorsal número um para os 177,8 quilómetros do percurso, alterado devido ao mau tempo na zona centro de Portugal, perdendo cerca de 15 quilómetros em relação ao inicialmente previsto.

Contudo, apesar de ter menos quilómetros, a Clássica da Figueira vai manter a seis contagens de montanha, com três passagens pela Rua do Parque Florestal (primeira) e por Enforca Cães (segunda), a seguir à qual há uma descida sinuosa.

A partida simbólica, junto à Torre do Relógio, será dada às 11:45, com a chegada, no mesmo local, junto à praia da Figueira da Foz, a dever acontecer por volta das 16:20.

Mais três corredores de equipas portuguesas do WorldTour vão estar presentes na Figueira da Foz, com Rui Oliveira e Ivo Oliveira a estarem ao lado de Morgado no bloco da UAE Emirates, e Nelson Oliveira a representar a Movistar.

Além do português, que este ano já venceu o Trofeo Calviá, em Espanha, surgem como principais favoritos o norte-americano Brandon McNulty (UAE Emirates), o suíço Marc Hirschi (Tudor), o dinamarquês Kasper Asgreen (EF Education-EasyPost) e o colombiano Daniel Martínez (Red Bull-BORA-hansgrohe).

As duas primeiras edições da Clássica da Figueira foram ganhas pelo dinamarquês Casper Pedersen (2023) e Remco Evenepoel (2024), ambos ao serviço da Soudal Quick-Step.

António Morgado assinava por baixo conseguir três vitórias por ano

O ciclista português António Morgado (UAE Emirates) afirmou que “assinava por baixo” conquistar três vitórias por ano, com o objetivo para este ano a ser a estreia numa grande Volta (Giro), onde quer ajudar João Almeida a vencer.

Apesar de ter apenas 22 anos, António Morgado já tem sete vitórias na carreira, uma das quais esta temporada, no Trofeo Calviá, em Espanha, e, em entrevista à agência Lusa, admitiu gostar de “corridas diferentes” e que prefere ganhar provas “do que fazer grandes Voltas”.

“Eu acho que tenho feito anos bons. […] Há ciclistas de topo mundial que não têm sete vitórias e estão há 12 anos no WorldTour. Temos que ver deste lado. Claro que se compararmos com atletas da minha idade, como o [Isaac] Del Toro, não sou tão bom, mas se compararmos com atletas bons, nomes de referência… Eu lembro-me agora de três, quatro nomes, que são nomes de referência, estão no top-10 mundial e têm menos de 10 vitórias. Há muitos. Eu tenho ganhado algumas corridas por ano. E se ganhasse três corridas por ano o resto da minha vida, assinava já por baixo”, afirmou.

António Morgado disse estar “contente” com as épocas que tem vindo a fazer e que, “a correr com os melhores do mundo”, ganhar três vezes já é muito bom, mas “claro que, se pudesse ganhar 20, ganhava 20”.

“Três semanas são para 10, 15 ciclistas, não mais. As clássicas são quase para todos, toda a gente consegue andar bem um dia e eu prefiro fazer um dia”, disse Morgado, que definiu a Volta a Flandres, um dos cinco Monumentos, como a sua corrida favorita.

Contudo, o grande objetivo da temporada é a participação na Volta à Itália, naquela que será a sua estreia em corrida de três semanas, “um primeiro teste”, que Morgado acredita que pode passar, com os olhos na possibilidade de ajudar o compatriota João Almeida a vencer uma grande Volta, para depois “estar muito forte, estar constante”, para conseguir discutir corridas, no verão.

“Vai ser também a minha primeira grande Volta, não sei como é que me vou sentir. Estou confiante, acho que me vou sentir bem, acho que vou estar bem, acho que vou conseguir ajudar o João e dar o meu melhor. E quem sabe ter uma oportunidade”, afirmou.

Ao contrário do que aconteceu nos últimos anos, em que tentou “iniciar o mais forte que conseguia, este ano está mais gerido”, mas, mesmo assim, António Morgado fez top-10 nas seis corridas que disputou, com destaque para o triunfo no Trofeo Calvià e o segundo lugar no Trofeo Serra Tramuntana, apenas atrás do belga Remco Evenepoel (Red Bull-BORA-hansgrohe), duplo campeão olímpico.

“Nunca pensei estar numa forma onde conseguisse ganhar corridas neste início da época. O único objetivo este ano é estar bem nas corridas finais do ano e no Giro. E, como este ano vou correr até ao Giro, não posso estar cansado já agora, não posso meter o meu corpo no limite já agora, não posso estar a ficar doente já agora. E claro que gostaria de estar aqui ao mais alto nível, mas acho que é para um bem maior”, afirmou.

Morgado, que hoje tenta repetir o triunfo na Clássica da Figueira, tem começado sempre bem as temporadas, admitindo que sempre se deu “bem com o frio” e que é “um atleta de frio”.

“Sofro mais no calor, no calor não sou tão bom. Mas, no frio, e com condições extremas de frio, sou muito bom e sinto-me sempre muito bem. Acho que é essa a única razão para eu começar bem os anos”, afirmou.

Para este ano, o plano do português “foi feito para ir sempre em crescendo”, o que faz que não esteja muito “bem agora nesta parte da época”, até porque “não se consegue manter a forma durante um mês, dois, três, é impossível”.

“E creio que agora não estou no máximo, não estou no melhor, mas creio que quando for a altura das grandes corridas vou estar bem”, afirmou Morgado, que descartou uma presença na Volta a Espanha: “na minha idade não faz nenhum sentido fazer duas grandes Voltas, uma chega bem e sobra”.

 

Autoria de:

Agência Lusa

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