A cidade sem trotinetas
Em Bruxelas, há mudanças que chegam de forma quase silenciosa, mas que vão em breve alterar a forma como olhamos para a cidade. A mais recente é a decisão de proibir as trotinetas eléctricas em regime de partilha a partir de 2027. Ou seja, aqueles veículos espalhados pelas ruas, abandonados em esquinas, encostados a postes ou deixados no meio do passeio, têm os dias contados.
A medida foi anunciada pela Região de Bruxelas e enquadra-se num conjunto de políticas de reorganização do espaço público e da mobilidade urbana.
As autoridades apontam problemas de segurança, estacionamento desordenado e utilização indevida destes veículos como parte da justificação. A verdade é que são cada vez mais as trotinetas vandalizadas, jogadas em qualquer lado dos passeios ou estradas ou atiradas às águas do canal.
Mais grave, os acidentes com trotinetas eléctricas na Bélgica aumentaram de forma exponencial nos últimos anos, com várias centenas de feridos por ano. Ao mesmo tempo, dezenas de milhares de trotinetas em partilha circulam diariamente em Bruxelas, com vários casos de estacionamento irregular ou abandono no espaço público reportados pelas comunas (freguesias). Apesar das regras cada vez mais apertadas (limites de velocidade, zonas proibidas, restrições de estacionamento e idade mínima de utilização), as infracções são demasiado frequentes e a falta de controlo também.
Primeiro foram novidade, depois solução prática, depois incómodo urbano e, finalmente, problema político. Os defensores da medida falam de segurança e de organização do espaço público. Os críticos falam de liberdade de escolha e de alternativas insuficientes. Estes últimos são capazes de ter razão. Eu fico ali no meio, mais inclinada para a cidade limpa e mais segura, sem acidentes causados por má utilização de uma coisa que na essência era boa.
