Tábua vai criar Centro de Interpretação para homenagear mundo rural
Inauguração do novo equipamento está prevista para dia 10 de abril do próximo ano, feriado municipal do concelho | Fotografia: Arquivo
Tábua vai criar um Centro de Interpretação do Mundo Rural, no antigo Matadouro da vila, através de uma obra orçada em mais de 600 mil euros, para homenagear o mundo rural e os ofícios do campo.
O novo espaço “visa ser uma infraestrutura de homenagem a toda a estratégia do mundo rural”, que vai nascer a partir da reabilitação de um edifício no centro da vila, criando um local de visitação, disse hoje à agência Lusa o presidente da Câmara Municipal de Tábua, Ricardo Cruz.
A estrutura de âmbito museológico será dividida em várias áreas temáticas, para oferecer uma visão transversal e promover “uma viagem no mundo rural”, além de permitir também perdurar esta cultura do campo.
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“Criamos aqui uma viagem que se pretende que seja única, passando pela floresta, pela agricultura, pelo vinho, pelo tear – neste caso pelo linho -, pelo pão”, pela pastorícia e por ofícios do campo.
O projeto conta com um investimento superior a 600 mil euros, com uma comparticipação financeira do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) de cerca de 420 mil euros. A Câmara assegura o restante.
A inauguração do novo equipamento está prevista para dia 10 de abril do próximo ano, feriado municipal do concelho de Tábua, no interior do distrito de Coimbra.
“Já submetemos a candidatura e aguardamos agora a aprovação da mesma. As indicações são boas, já estamos em fase final, mas temos quase a certeza absoluta que será comparticipado neste valor”, apontou, salientando que esse investimento irá valorizar e refuncionalizar o antigo matadouro, proporcionando “uma nova dinâmica e sobretudo um contributo para o desenvolvimento turístico e económico do concelho”.
A requalificação do edifício vai criar uma zona de entrada e áreas divididas por temas, com um espaço dedicado à floresta, outro à agricultura e também para “áreas que são de excelência do município”.
O vinho (o concelho pertence a região demarcada do vinho do Dão); o pão (“Tábua é considerada a terra de padeiros”); os teares e as questões relacionadas com o linho; a pastorícia (ligada ao queijo); e profissões “que já estão em extinção e que eram tão importantes, ligadas ao mundo rural”, como o tanoeiro e o ferreiro, serão alguns dos conteúdos com que os visitantes ali poderão entrar em contacto.
No âmbito do vinho, além de provas, vão ser abordadas as castas mais tradicionais da região, enquanto na secção dedicada ao pão haverá infografias e “experiências sensoriais com o som do pão a cozer e do forno a lenha”.
Na vertente da pastorícia, será explorada desde a ordenha até à cura do queijo, promovendo uma viagem por todas as etapas de produção “até fazer o queijo desta região demarcada queijo Serra da Estrela”.
Ao salientar o objetivo de criar “uma viagem única e distintiva” pelas atividades, presentes e passadas, que caracterizam o mundo rural, Ricardo Cruz destacou também o propósito de reconhecer os ofícios do campo, “de pessoas que, com as mãos, outrora trabalharam muito no concelho”.
“Iremos também homenageá-las neste mesmo sentido, terminando esta viagem no mundo rural com este périplo por utensílios que eles usaram há uns anos”, acrescentou.
As obras vão centrar-se no interior do edifício e na retificação da cobertura, além de num alargamento, no âmbito de uma copa e de casas de banho, “mas efetivamente a estrutura de pedra – o edifício é de pedra por fora – irá ser mantida”.
Este será um “espaço museológico totalmente diferenciado, com toda a capacidade para que efetivamente possa ser feito um museu, neste caso um centro de interpretação, com uma elevada qualidade e que seja um espaço de referência na visitação, não só em Tábua, mas também na região”.
A ideia é que Tábua, “ao longo deste mandato, fique com três a quatro espaços museológicos. Neste momento não tem nenhum, este [Centro Interpretativo] será o primeiro e nada melhor que começar pelo mundo rural, que foi a base de essência de toda esta zona de desenvolvimento”, sublinhou.
