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Prevenir é proteger

02 de fevereiro de 2026 às 10 h26
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A proteção civil nunca aparece entre as prioridades políticas de governos, nem tão pouco (verdade seja dita) no horizonte de preocupações de cidadãos e eleitores. A saúde, o emprego, a habitação, a segurança social aparecem no topo das preferências. A proteção civil, em Portugal, vem no fundo da tabela.

Talvez não devesse ser assim. Os graves incêndios dos últimos anos e a calamidade (de nome Kristin) destes dias obrigariam a outro tipo de abordagem política. Afinal de contas, num mundo cada vez mais exposto a fenómenos extremos (das alterações climáticas aos riscos tecnológicos e geopolíticos) a proteção civil deixou de ser uma resposta reativa para se afirmar como um pilar estratégico da segurança coletiva. As melhores práticas internacionais mostram que prevenir é não só mais eficaz como incomparavelmente menos dispendioso do que remediar.

Países como o Japão, a Nova Zelândia ou a Noruega demonstram que a redução do risco de catástrofes começa muito antes da emergência. Planeamento territorial rigoroso, códigos de construção exigentes, sistemas de alerta precoce e investimento contínuo em ciência e dados são fatores decisivos. No Japão, por exemplo, a educação para o risco faz parte do currículo escolar, criando cidadãos preparados e resilientes desde cedo. E nós, em Portugal?..

Outra lição fundamental é a coordenação institucional. Modelos de governação claros, com cadeias de comando bem definidas e exercícios regulares entre forças de segurança, proteção civil, saúde e autarquias, reduzem drasticamente o tempo de resposta e salvam vidas. Cada vez que há problemas começa o “jogo do empurra” e passam-se culpas! A tecnologia é hoje uma aliada central: sensores, satélites, inteligência artificial e comunicação em tempo real permitem antecipar cenários e agir com precisão. E em Portugal? Já não há pachorra para ouvir falar de uma porra chamada SIRESP…

Mas nenhuma estratégia é eficaz sem o envolvimento da comunidade. As melhores práticas colocam as pessoas no centro: informação transparente, formação, voluntariado e confiança nas instituições. A segurança de pessoas e bens constrói-se com proximidade, não apenas com meios. E, sobretudo, antes da “casa arrombada”!

Num contexto de risco crescente, a escolha é clara: investir na prevenção, na resiliência e na cultura de segurança não é um luxo — é uma responsabilidade pública essencial e um imperativo ético das democracias modernas. Vamos ver o que o governo, autoridades públicas e autarquias aprenderão com o sobressalto calamitoso destes dias!..

Autoria de:

Ricardo Castanheira

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