Pensar a Região Centro sem a Guarda é ler mal o território
A aprovação do Programa Regional de Ordenamento do Território do Centro (PROT-C) não é um ato administrativo menor. Trata-se de um instrumento estratégico que influenciará, durante anos, a forma como a região pensa o seu desenvolvimento, organiza as suas prioridades e valoriza os seus territórios. O Instituto Politécnico da Guarda – IPG desempenha, há décadas, um papel ativo na qualificação das pessoas, na inovação, na investigação aplicada e na ligação entre conhecimento e território, com particular incidência em zonas de baixa densidade.
O PROT-C agora aprovado integra o IPG no eixo Guarda–Covilhã–Fundão–Castelo Branco. Essa leitura é legítima. Mas é insuficiente. O papel do Politécnico da Guarda e a centralidade territorial da cidade não se esgotam nesse enquadramento. Há uma outra dimensão que deve ser igualmente reconhecida: a inserção da Guarda no eixo Aveiro–Viseu–Guarda e a sua função de articulação entre o interior, a Região Norte e o espaço ibérico e europeu.
A Guarda não é apenas um ponto periférico no mapa. É um ponto nevrálgico de coesão territorial, de articulação vertical do desenvolvimento regional e de ligação transfronteiriça. Situada no centro do eixo atlântico e beneficiando de uma localização funcional nas imediações do IP2, estabelece uma ligação estruturante entre a A23 e a A25 e projeta-se para a Região Norte de forma natural. Nela confluem também as linhas ferroviárias da Beira Baixa e da Beira Alta, com ligação à Europa.
Essa posição é estratégica. E deve ser considerada como tal nos instrumentos que pen163016sam o futuro da região. O IPG tem concretizado esta leitura no terreno, desenvolvendo há anos atividade formativa e projetos de investigação e desenvolvimento em concelhos da Região Norte e de territórios contíguos, designadamente em São João da Pesqueira, Vila Nova de Foz Côa e Mêda, prevendo-se em breve o alargamento dessa presença a Sernancelhe, Tabuaço e Trancoso.
É precisamente por isto que o PROT-Centro deve ser lido também à luz das dinâmicas territoriais que já existem, e não apenas das grelhas tradicionais com que tantas vezes se olha para o mapa. O desenvolvimento regional faz-se a partir de fluxos, articulações, ligações funcionais e projetos efetivos.
O Politécnico da Guarda não pretende reclamar centralidade artificial nem alimentar disputas estéreis de posicionamento. O que defende é algo mais simples e mais sério: que a realidade do território seja lida com rigor e que o papel das instituições públicas de ensino superior seja valorizado de forma coerente com a sua ação concreta.
O IPG não quer ficar à margem deste processo. Quer contribuir. Quer acompanhar. Quer participar nas fases de concretização, monitorização e desenvolvimento futuro de um instrumento que terá impacto direto na região onde exerce a sua missão. E tem legitimidade para o fazer, porque conhece o território, trabalha no território e ajuda, todos os dias, a transformá-lo.
O PROT-Centro é uma oportunidade para pensar a Região Centro com mais ambição, mais inteligência territorial e maior sentido de coesão. A Guarda tem de fazer parte dessa visão. E o seu Politécnico também.


