Paixão de Luís Soares pela criação de aves preserva espécies e vale medalhas em mundiais
No Zambujal, localidade do Município de Cantanhede, há um neophema pulchella, nome científico do periquito-turquesa, que conquistou um título mundial, no passado mês de janeiro, em Espanha. Dedicação e fascínio do criador e ornitólogo Luís Soares estão na base do sucesso em Talavera de la Reina, Toledo. Paixão pela ornitologia é conjugada com a vida de militar da GNR num concelho onde há vários criadores e aves a mostrar atributos a nível mundial
Neophemas, Lóris ou Loriculus Galgalus. Estas são algumas espécies de periquitos responsáveis pelo frenesim acústico, diferente do habitual, escutado na parte de trás da casa de Luís Soares.
“É uma paixão que tenho desde pequeno, sempre gostei muito de aves e surgiu a oportunidade de ter algumas”, contou ao DIÁRIO AS BEIRAS o agente da Guarda Nacional Republicana. Natural e residente no Zambujal, localidade do Município de Cantanhede, é ornitólogo desde 2016, embora o gosto e admiração pelas aves tenha começado muito antes. “Isto começou nos anos de 2003 e 2004, não oficialmente, mas com algumas aves. A sério, digamos assim, comecei em 2016, com participação em exposições e campeonatos”, revelou o ornitólogo.
Junto ao “cofre”, que é como quem diz, nas imediações das gaiolas onde repousam os “seus campeões”, Luís trata das suas aves com o máximo de cuidado e atenção. E é normal que assim seja, para além do afeto em relação aos animais, este ornitólogo tem na sua criação alguns “craques”, caso de um neophema pulchella, nome científico do periquito-turquesa/turquoisine, que se sagrou, no passado mês de janeiro, campeão do mundo em Espanha. Mas, este neophema não quer estar no centro das atenções desta reportagem… esse lugar ficará guardado para Kiko, um social trichoglossus rubritorquis ou Lóri-de-pescoço-vermelho.
É junto às aves que o orgulho de Luís é mais visível. “Sinto orgulho nas aves que tenho”, assumiu. E o que mais dá prazer a este ornitólgo? “É o prazer de estar com eles, de os criar, de os ver ter filhos. Conseguir reproduzir uma espécie difícil, como é o caso dos Galgulus, que em Portugal há poucos e na Europa há três ou quatro grandes criadores e pouco mais”, confidenciou.
Com “cerca de 40 aves”, este criador de 40 anos assume que as suas aves acabam por ser uma “segunda família”, que exige tempo e cuidados. “Isto é um hobby, uma maneira de desanuviar do dia a dia. Sair do trabalho e vir para aqui, estar com eles, dar-lhes comida, é algo que exige muita dedicação, tempo e dinheiro, pois as comidas não são baratas. Os néctares não têm nada a ver com as rações de sementes que se compram normalmente em lojas”, revelou.
Na base do sucesso destes verdadeiros “modelos” está precisamente a alimentação e as condições de criação. Feita 100% à base de néctar, proveniente de frutas e flores, ou ainda de insetos (larvas), as aves de Luís têm uma alimentação que requer atenção e o “habitat” na gaiola também não é esquecido.
“Tento dar as condições mais aproximadas ao que eles teriam na natureza, faço isso para aumentar o sucesso na reprodução”, referiu. A colocação de eucalipto, que “para além de criar laços entre macho e fêmea é um excelente desinfetante natural”, frisou, ou a utilização de vinagre de sidra “um excelente desinfetante/ desparasitante interno”, garantiu, são exemplos desta tentativa.
| Pode ler a reportagem na integra na edição de hoje do DIÁRIO AS BEIRAS

