diario as beiras
opiniao

Os novos portugueses da Bélgica

04 de dezembro de 2025 às 11 h35
0 comentário(s)

Os números saíram na semana passada: em 2024, chegaram à Bélgica 5.471 portugueses – o valor mais alto desde que há registos. Os emigrantes para este país quadruplicaram em duas décadas. Poderia ser apenas uma curiosidade estatística, mas não é: é o espelho de uma escolha consciente, repetida e sustentada.

A frase vinha no título de um jornal português: “Na Bélgica, não preciso de sacrificar a vida pessoal.” Convenhamos: a troca não é do sol pela chuva, é da insegurança pela estabilidade. No fundo, há sempre uma troca: menos luz, mais qualidade laboral; menos sol, mais direitos; menos praia, mais tempo livre.

A Bélgica oferece algo que falta a muitos trabalhadores portugueses: condições laborais. Horários que se cumprem, férias que não são um favor, licenças que não levantam sobrancelhas, trabalho que não engole tudo o resto e, mais importante, a sensação de que o emprego serve a vida – e não o contrário. E mesmo assim o português chega com os “vícios” nacionais: quer fazer mais, melhor, é dedicado. Com o tempo percebe, olhando para o lado, que fazer bem não significa horas extra nem sacrifício da vida pessoal.

Somos um país pequeno com uma grande vocação para caber em vários lugares ao mesmo tempo. O português procura onde é possível viver melhor, não necessariamente onde se vive mais bonito. Somos mais, ocupamos espaço, abrimos cafés, misturamos as duas línguas e tornamo-nos uma presença inevitável nas ruas de Bruxelas.

Chegámos 5.471 vezes em 2024. Fora aqueles que não se inscreveram. Somos cada vez mais a pertencer agora ao país onde o inverno dura seis meses e onde somos estimados e bem tratados. Quando um país trata bem quem chega, todos ganham. Portugal, toma nota!

Autoria de:

Catarina Moleiro

Deixe o seu Comentário

O seu email não vai ser publicado. Os requisitos obrigatórios estão identificados com (*).


Últimas

opiniao