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Opinião: Votar não muda tudo

19 de maio de 2025 às 12 h51
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Há quem diga que as eleições são a festa da democracia. Mas há festas com melhor música. E, infelizmente, nesta, muitos já nem dançam. Ou porque estão fartos, ou porque acham que já sabem o final da história antes de ela começar. E compreende-se: quando os protagonistas são medianos, o país não avança – tropeça.

Mas, por mais desiludido que se esteja, as eleições continuam a ser o único momento em que o cidadão comum, com ou sem canudo, com ou sem pedigree, tem exatamente o mesmo poder que um banqueiro ou um general: um voto. E isso, em tempos de algoritmos, bolhas e cinismos, ainda é revolucionário.

Não se trata de escolher o “salvador”. Essa figura já devia estar arquivada ao lado das enciclopédias com páginas amarelas.

Trata-se de escolher os gestores do bem comum. Os que vão decidir onde se investe, quem paga mais, quem recebe menos, quem se protege e quem se ignora. E sim, mesmo que os nomes no boletim de voto não inspirem, desistir de votar é deixar que outros escolham por nós. E normalmente, quem escolhe por nós não tem os nossos interesses no topo da lista.

Claro que votar não basta. É o início, não o fim da participação. Mas é um início necessário. Uma democracia sem eleições é como um teatro sem público: pode haver encenação, mas não há verdade. E quando os protagonistas são fracos, a plateia tem ainda mais responsabilidade: exigir melhores argumentos, melhores ideias, melhor gente.

As eleições, em democracia, são momentos de avaliação. Não de fé cega. Mas também não de niilismo constante. A crítica permanente, se não for acompanhada de ação, transforma-se em pose. E as redes sociais estão cheias de indignados profissionais que nunca saíram de casa para mudar o que tanto criticam.

A Democracia também é incómoda. Obriga-nos a escolher quando preferíamos não ter que o fazer. Exige-nos atenção, tempo, comparação. Mas a alternativa é deixar que escolham por nós — e depois fingir surpresa com o resultado.
O país não falha só quando “ os maus” vencem. Falha, sobretudo, quando “os bons” se calam.

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