Opinião: SNS e o logro político
O Serviço Nacional de Saúde, cujos méritos deverão ser por todos reconhecidos, está hoje moribundo, padecendo de maleitas insanáveis, por total irresponsabilidade dos seus cuidadores políticos.
Desde sempre assumido como uma arma de arremesso político, importa hoje desmitificar várias impingidelas propagandeadas, mormente em véspera de eleições legislativas, e explicar aos Portugueses as verdadeiras razões da insustentabilidade do SNS que obrigam à sua urgente requalificação e modernização.
Explique-se aos portugueses que não fossem os mais de 1milhão e trezentos mil contribuintes que descontam do seu salário, adicionalmente aos impostos que já pagam, para um subsistema (ADSE) que é por estes integralmente pago, precisamente para poderem optar pelo privado, e o SNS colapsaria quer por incapacidade de resposta quer por exponenciação dos custos.
Assuma-se que não fossem as mais de 3 milhões de apólices de seguros privados e o SNS seria incomportável, e que a sua sustentabilidade exigiria muito mais de todos nós, nomeadamente obrigando a aumentar brutalmente a sua dotação orçamental só possível com mais impostos.
Assuma-se que as tão criticadas parcerias público-privadas, que a ala esquerda da política falaciosamente caracteriza como lesivas do interesse publico, foram na verdade fontes de obvia poupança para o Estado e que almejaram exponenciar os níveis qualitativos dos serviços prestados aos doentes. Assuma-se que com estas acabaram por mera idiotice ideológica, sem qualquer racional económico, e que com isso prejudicaram as populações e o próprio SNS.
Haja coragem política para assumir que o SNS não é hoje sustentável sem a existência de um setor privado sólido e verdadeiramente complementar do setor publico e que a relação entre estes não é de parasitismo, mas sim de obvio mutualismo, acabando com narrativas de esquerda que não são mais do que uma grande mentira.
Questionem-se porque decidiu o seu Fundador, logo desde 1979, pela complementaridade com o setor privado para muitos dos serviços prestados, desde que com benefício obvio das populações.
Assumam-se os erros decorrentes de uma ideologia pouco racional, que contraria o próprio espírito fundador do SNS, e que contribui de forma decisiva para a delapidação de um bem maior da nossa estrutura social.
