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Opinião: Será o chatGPT a (re)ensinar-nos a amabilidade?

14 de novembro de 2024 às 11 h46

Em 1995 iniciei as minhas funções como formadora de Informática. Quem tinha acesso à Internet era ainda um grupo restrito, onde determinadas regras eram respeitadas. Não era apenas a Internet que faltava nas salas onde eu lecionava: na 1.ª “sala adaptada” onde trabalhei, os computadores era todos distintos uns dos outros e a formação era no Salão dos Bombeiros Voluntários.

Aprendia-se Windows, Word e Excel: à época, era nisso que nos concentrávamos e em saber onde estavam os ficheiros, como os copiar para uma disquete (“por favor, copiem o ficheiro e não o atalho para o ficheiro”), para poderem ser úteis noutro local (não havia rede e a cloud era uma miragem do “Regresso ao Futuro”), sendo a disquete a prova física e real da aprendizagem.

Fornecia uma disquete individual, com etiqueta impressa com o nome de cada um, e preparada com orgulho (e paciência!) antes do início de cada curso, onde incluía ficheiros-base para trabalharem e ganharmos tempo – não havia uma forma simples de partilharmos algo, para 20 pessoas, durante a sessão.

Um dos temas fundamentais, nos cursos sobre como usar a Internet e o correio eletrónico, era a netiquette: regras de comportamento adequado que a comunidade devia seguir para promover a partilha de conhecimento e o respeito online. Por exemplo, nos e-mails: escrever sempre o assunto do e-mail de forma clara; não usar maiúsculas porque significava que estávamos a gritar com as pessoas; ser claro e sucinto na mensagem já que o e-mail é qb informal e, quem lê, tem pouco tempo; nunca dizer algo por e-mail que não tivesse coragem de dizer “cara-a-cara”. Entretanto, com a democratização do acesso à tecnologia, às redes sociais e à presença digital global, parece-me que se perdeu a educação sobre como estar online. Mais recentemente, o ChatGPT – e já antes os chatbots – e os outros modelos de conversação vieram lembrar-nos isso: “Em que posso ajudar?”, “sim, claro, vou preparar esse ficheiro para si”, como se nos fosse entregar um café e uma nata polvilhada com canela, com toda a precisão e profissionalismo. Perguntei ao ChatGPT o que ele pensa sobre este tema: ele concorda (quase sempre encontra uma forma de não discordar abertamente da minha opinião) e enfatiza-me que, muito do que se passa online, não tem qualquer moderação, o que dissemina comportamentos inadequados, que passam impunes, discursos de ódio… sugere que a “cidadania digital e comportamento ético online [deviam ser incluídos] em programas educacionais, para as gerações mais jovens”.

Como não são só os jovens que têm esses comportamentos, deixo a sugestão para todos nós. Talvez ainda haja esperança de os novos modelos de conversação nos contagiarem com a amabilidade, educação e empatia que já parecem definitivamente perdidas…

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