Opinião: Se me amas, apascenta as minhas ovelhas
O colégio cardinalício prepara a sucessão de S. Pedro. Entre os cardeais eleitores, há 33 religiosos. Mas só há um monge: o cisterciense brasileiro D. Orani João Tempesta, também ele filho de emigrantes italianos. Em 2009, foi nomeado Arcebispo Metropolitano da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro pelo Papa Bento XVI. Anteriormente havia sido bispo de duas outras dioceses e abade do mosteiro cisterciense onde entrou, o de São José do Rio Pardo. O Papa Francisco elevou-o a Cardeal em 2014, na sequência da realização das Jornadas Mundiais da Juventude de 2013, no Rio de Janeiro.
Os cistercienses tiveram 2 pontífices. O primeiro foi Eugénio III ( 1145-1153 ). Entrara em Claraval pela mão de S. Bernardo. Quando esse seu discípulo, Bernardo Pignatelli, foi eleito Papa, o “Doutor Melífluo” não ficou agradado: um monge não se devia tornar Papa. Mas foi justamente por ser discípulo de S. Bernardo – a consciência moral da cristandade – que o elegeram.
Ainda assim, o mestre forneceu-lhe conselhos para poder ser um bom Papa no tratado que lhe dedicou “De Consideratione ad Eugenium Papam”, onde critica a decadência em Roma. S. Bernardo demonstra confiar mais no discípulo do que nos papas anteriores, que se deixavam seduzir pelo poder, luxo e riqueza, pondo em causa a sua verdadeira missão: o anúncio do Evangelho. O Papa não deve ser um administrador de assuntos mundanos, mas sim alguém que serve a Cristo. O papado é um serviço (ministerium), não um senhorio (dominium). O Papa deve ser um pastor:
“Ou negas que és pastor deste povo ou demonstras que o és pelas tuas acções. Não o negarás, para que aquele cuja sede ocupas não te negue como herdeiro. Esse é Pedro, que nunca se viu andar com joias ou seda, coberto de ouro, montado num cavalo branco, nem acompanhado de soldados, nem cercado de servos ruidosos. Sem tudo isso, ainda assim acreditou poder cumprir o mandato do Senhor: ‘Se me amas, apascenta as minhas ovelhas’. Com tais adornos, tu não és sucessor de Pedro, mas de Constantino. (…) Prefiro exortar-te a cumprires o teu dever. Ainda que vestido de púrpura e ouro, não tens motivo para desprezar as tuas responsabilidades pastorais, pois és herdeiro do Pastor. Não tens que te envergonhar do Evangelho. (…) Anunciar o Evangelho é apascentar. Cumpre a tarefa de evangelista e terás cumprido a missão do pastor.”
O Papa Bento XVI, na catequese de uma audiência geral, em 2009, disse que se trata de um livro “que permanece uma leitura conveniente para os Papas de todos os tempos”.
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Ó Sr. António Manuel Ribeiro Rebelo, só os ingénuos, ignorantes, de um lado, e os hipócritas, interesseiros gulosos de poder, de outro, insistem mapear uma organização política e financeira como a ICAR com o Cristo e o cristianismo preconizado, supostamente, por ele. As ovelhas querem todas dividendos, uns espirituais (poupam nos honorários entregues aos profissionais e demais técnicos de saúde mental), outros materiais (um empregozito bem remunerado ou uma prebenda). O verdadeiro cristianismo não necessita de igreja física, da pedra de Pedro ou de outro qualquer, pedra inventada pelos homens, fazendo das mulheres servas, escravas, para transformar os piores vícios da humanidade, em pias virtudes. Há sempre um elevado preço a pagar e um esperado dividendo, ambos devidos a essas ovelhas esfaimadas de pasto, e aos lobos que as apascentam. O preço é a Liberdade e o Conhecimento. Estais todos demasiados obesos de vício para passar pelo fundo da agulha.
“Ingenuos, qui ingenui nati sunt: libertinos, qui pro seruitute manumissi liberi fiunt.”