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“A história da Capa e Batina” – Parte I

29 de abril de 2026 às 09 h30

O Conselho de Veteranos está a dinamizar durante esta semana, a Semana da Capa e Batina. Esta celebração distingue-se das restantes Académicas (como a Latada ou a Queima) pois não se trata de festejar a passagem de grau (como nos Caloiros ou Grelados) mas sim em dar destaque a uma parte do extenso património da Praxis Coimbrã. Este ano, essa esolha recaiu na nossa maior bandeira e ex-libris: A própria Capa e Batina.

Já há algum tempo que ando a fazer uma investigação sobre a história do uniforme Académico, e aqui partilho agora parte das minhas descobertas. Devido à extensidade da tarefa que é falar da história da Capa e Batina (afinal, o uniforme tem mais de quatrocentos anos…), separo-o por partes, para facilitar a digestão da licção. Nos primórdios da UC, não havia um uniforme próprio ou exclusivo.

Apareceu em 1539 através da Ordenança para os estudantes da Universidade de Coimbra, de D. João III. Esta estipulava regras rígidas ao vestuário dos académicos com o intuito de evitar certos luxos e manter a sobriedade exigida à classe estudantil que possuía ainda uma forte componente clerical. Assim, os estudantes não podiam “trazer vestido pano frisado, (…) barretes senão de feição redonda (…) pelotes e aljubetas três dedos abaixo do joelho (…) mantéus sem capelo”; nem podiam trazer “lavor branco, nem de cor alguma em camisas”.

Em inicios do Séc. XVIII é adoptado o hábito talar, uma veste eclesiástica composta por uma capa que desce até aos calcanhares e uma tunica, que desce até aos joelhos e que, por ter abas, se chamou de abatina. Esta abatina era uma casaco preto, sem mangas, atado atrás com um cordão, e com duas filas de botões pequenos indos do pescoço aos pés.

O Marquês de Pombal tentou acabar com o uniforme académico, mas reconheceu que “a Universidade e o País tinham alguma simpatia por aquele uniforme tradicional; além disso, para os pobres tinha a vantagem de ser mais barato, que estabelecia maior semelhança entre os estudantes, e que lhes poupava inúteis despesas e os livrava de vaidosas ostentações de luxo”.

Até ao fim do Foro Académico em 1834 não era permitido nem a Estudantes nem aos Lentes que andassem na cidade sem a Capa e Batina a fim “que não se confudam entre estudantes e futricas” por forma à correcta aplicação das leis do Foro Académico, que diziam unicamente respeito a estes.

As guerrilhas miguelistas puseram fim à Legis Luso-Ahteniae e o furor revolucionário que pairava levou a um uso cada vez mais anárquico e decadente da Capa e Batina. Este evoluir da situação acabou por levar à instituição da Polícia Académica (e eventuais Trupes de Estudantes) assim como à necessidade de reinstituir algumas regras de boa conduta.

No final deste séc. as batinas já não eram tão compridas, tendo subido até à altura do joelho, e tinha sido incluído nas regras o uso de sapato com meia preta, a gravata e o colete. A Capa já se usava mais livremente: ao ombro ou no braço, sendo somente colocada sobre os ombros quando estavam dentro dos Paços Académicos.”

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