Opinião: Se as mulheres são de Vénus, é para lá que eu vou!
O mundo está irreconhecível! A eleição de Trump marcou um ponto de viragem que alterou irreversivelmente o curso da história. O que antes parecia ser o limiar da fragmentação política tornou-se agora uma realidade. A distopia de 2025 não é marcada por uma violência óbvia ou por uma convulsão, mas por um profundo e sistémico desmantelamento das instituições democráticas, da confiança social e do próprio tecido da realidade.
A ascensão do populismo extremo espalhou-se por todo o mundo – dos Países Baixos à Hungria, da Itália à Eslováquia, passando pelos riscos crescentes na Alemanha – numa diluição crescente das instituições democráticas ocidentais.
Um pouco por todo mundo, antes tido por democrático e liberal, a paisagem política tornou-se um campo de batalha. A noção de realidade objetiva foi corroída à medida que os império digitais de “Musk e Cia” se fortaleceram, enchendo as ondas de rádio com notícias adaptadas aos seus apoiantes, e as câmaras de eco se aprofundaram. A desinformação já não é apenas um inconveniente ocasional, passou a ser a norma. As organizações de verificação de factos foram rotuladas de “notícias falsas” e a verdade passou a ser aquilo que as figuras mais poderosas dizem que é. A imprensa livre, durante muito tempo considerada a pedra angular das nossas democracias, ficou paralisada, restando apenas algumas vozes independentes para carregar o peso da verdade.
Já não há economia. Há especulação. Os magnatas estão a tomar conta da coisa pública e uma estrutura oligárquica concentra o poder nas mãos de poucos. As alterações climáticas, outrora uma preocupação global premente, passou agora a um assunto distante e estamos todos condenados a prazo.
No meio deste tumulto a esperança é um elemento escasso. Resta-nos a educação e a cultura para constituir bolsas de resistência, compostas por movimentos inter-geracionais em que lutaremos pela mudança política, pela preservação da verdade, dos direitos humanos e da dignidade!
Em 2025, o mundo ainda não está completamente perdido, mas encontra-se num precipício, onde a linha entre liberdade e controlo, realidade e ilusão, nunca foi tão ténue. O tempo é escasso e já comprei um bilhete para Vénus, pois é de lá que as mulheres são!
