Opinião: Requalificar-se ou ser-se substituído
Esta semana, um professor de automação afirmava, numa entrevista de rádio, que ensinava sempre aos seus alunos que querer um mundo muito automatizado, sem necessidade de se realizar tarefas repetitivas e cansativas, iria forçosamente destruir empregos no futuro, sobretudo de baixa qualificação. Uma espécie de alerta: se queres um mundo onde a tua vida seja muito cómoda, poderá ser o teu emprego a estar em causa no futuro.
Ao mesmo tempo, do outro lado do Atlântico, a TESLA apresentava diversas novidades, num evento denominado “We, Robot”, que incluíam um robô-táxi de condução totalmente autónoma (Cybercab) e um veículo para transporte de passageiros ou carga (Robovan), igualmente 100% autónomo.
Mas o que criou mais impacto neste evento foram mesmo os robôs humanoides (Optimus) que no evento interagiram com o público, servindo bebidas, caminhando e conversando com humanos. Elon Musk afirmou então que estes deverão ser capazes de realizar inúmeras tarefas domésticas, de babysitter a professor, ou até tornarem-se simplesmente num “amigo” com quem conversar.
Mesmo depois da notícia de que estes robôs não eram totalmente autónomos e que foram humanos que controlaram estas máquinas no evento, as redes sociais foram de novo invadidas com o debate em torno das preocupações da sociedade com o avanço da tecnologia, especialmente quando se aborda o impacto que podem vir a ter no mercado de trabalho.
A substituição de tarefas não implica necessariamente a substituição de pessoas – a automação tende a substituir tarefas específicas, especialmente aquelas que são repetitivas, perigosas ou de mais baixa complexidade.
Por outro lado, a tecnologia tem sempre implicações positivas ao transformar e criar novas funções e empregos em setores emergentes (robôs requerem desenvolvimento de novo software, inteligência artificial, manutenção, etc.).
Naturalmente, temos de ser sensíveis à dificuldade e desigualdade que esta transição cria em algumas populações que possam não ter acesso à educação e requalificação necessárias a esta nova realidade. O mais provável é mesmo uma mudança no perfil do trabalho, exigindo requalificação profunda de alguns trabalhadores. Não haverá outra forma que não a sociedade se preparar para esta nova realidade, com as necessárias mudanças no mercado de trabalho e também um acompanhamento de políticas públicas adequadas.
A automação e a robótica têm o potencial de transformar profundamente o mercado de trabalho, mas a ideia de que substituirão as pessoas no futuro parece, contudo, complexa e incerta. Parafraseando o matemático Alan Turing, ele que foi considerado o pai da computação, “nós só podemos ver um pouco do futuro, mas o suficiente para perceber que há muito a fazer”.
