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Opinião: Requalificar-se ou ser-se substituído

17 de outubro de 2024 às 10 h40
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Esta semana, um professor de automação afirmava, numa entrevista de rádio, que ensinava sempre aos seus alunos que querer um mundo muito automatizado, sem necessidade de se realizar tarefas repetitivas e cansativas, iria forçosamente destruir empregos no futuro, sobretudo de baixa qualificação. Uma espécie de alerta: se queres um mundo onde a tua vida seja muito cómoda, poderá ser o teu emprego a estar em causa no futuro.

Ao mesmo tempo, do outro lado do Atlântico, a TESLA apresentava diversas novidades, num evento denominado “We, Robot”, que incluíam um robô-táxi de condução totalmente autónoma (Cybercab) e um veículo para transporte de passageiros ou carga (Robovan), igualmente 100% autónomo.

Mas o que criou mais impacto neste evento foram mesmo os robôs humanoides (Optimus) que no evento interagiram com o público, servindo bebidas, caminhando e conversando com humanos. Elon Musk afirmou então que estes deverão ser capazes de realizar inúmeras tarefas domésticas, de babysitter a professor, ou até tornarem-se simplesmente num “amigo” com quem conversar.

Mesmo depois da notícia de que estes robôs não eram totalmente autónomos e que foram humanos que controlaram estas máquinas no evento, as redes sociais foram de novo invadidas com o debate em torno das preocupações da sociedade com o avanço da tecnologia, especialmente quando se aborda o impacto que podem vir a ter no mercado de trabalho.

A substituição de tarefas não implica necessariamente a substituição de pessoas – a automação tende a substituir tarefas específicas, especialmente aquelas que são repetitivas, perigosas ou de mais baixa complexidade.

Por outro lado, a tecnologia tem sempre implicações positivas ao transformar e criar novas funções e empregos em setores emergentes (robôs requerem desenvolvimento de novo software, inteligência artificial, manutenção, etc.).

Naturalmente, temos de ser sensíveis à dificuldade e desigualdade que esta transição cria em algumas populações que possam não ter acesso à educação e requalificação necessárias a esta nova realidade. O mais provável é mesmo uma mudança no perfil do trabalho, exigindo requalificação profunda de alguns trabalhadores. Não haverá outra forma que não a sociedade se preparar para esta nova realidade, com as necessárias mudanças no mercado de trabalho e também um acompanhamento de políticas públicas adequadas.

A automação e a robótica têm o potencial de transformar profundamente o mercado de trabalho, mas a ideia de que substituirão as pessoas no futuro parece, contudo, complexa e incerta. Parafraseando o matemático Alan Turing, ele que foi considerado o pai da computação, “nós só podemos ver um pouco do futuro, mas o suficiente para perceber que há muito a fazer”.

Autoria de:

Victor Francisco

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