Opinião: Rentrée: o ciclo inevitável em Bruxelas
A sobrelotação das praias belgas é quase uma metáfora da vida em Bruxelas: uma cidade pequena, com muita gente e pouca margem para improviso. A estação do Verão ainda não acabou, mas a vida já voltou à rotina na capital. E a rotina inclui a repetição de ciclos anuais inevitáveis. Como se fosse fatal voltar, depois das férias, para uma cidade já a 1000%, com o caos habitual no trânsito e no estacionamento.
O planeamento parece sempre bem feito, pelo menos na teoria: “Vamos ter obras durante o verão para incomodar o mínimo possível!” Aproveita-se a deserção de Julho e Agosto para trabalhos nas ruas e estradas. E que bom e arejado é circular em Bruxelas durante o mês de Agosto…
O problema é que, invariavelmente, as obras não terminam a tempo. Nunca. No primeiro dia de aulas – e também primeiro dia de trabalho para muitos pais – o cenário foi de completo pandemónio: ruas bloqueadas, sinais confusos, estacionamentos impossíveis e motoristas impacientes.
E se o caos nas ruas é evidente, o transporte público também não fica atrás. São capítulos de um mesmo ciclo anual, previsível e, ainda assim, mal gerido. A Bélgica vive cada verão como um teste colectivo aos níveis de paciência dos seus habitantes, e cada rentrée serve como lembrança de que previsibilidade não é sinónimo de preparação.
Ainda nem terminou o verão e já temos a sensação de precisar de férias de novo. Acabou-se o descanso… Bom regresso!

