Opinião: Quanto maior é a altura, maior é a queda
Consta dos textos bíblicos que “a arrogância precede a ruína, e o espírito altivo, a queda.” Vem isto a propósito das eleições de ontem!..
Em política, o poder é sempre um teste ao carácter. E é precisamente nos municípios, onde a proximidade entre eleitos e cidadãos deveria ser mais evidente, que a soberba e a arrogância se tornam particularmente nocivas. A gestão dos municípios exige liderança, visão e empatia — mas, demasiadas vezes, transforma-se num palco onde o exercício do poder serve mais o ego do que o interesse público.
A soberba política manifesta-se quando os autarcas deixam de ouvir, quando passam a acreditar que o sucesso lhes pertence em exclusivo, quando confundem o mandato democrático com um cheque em branco. A partir desse momento, as decisões começam a ser tomadas em circuito fechado, as críticas passam a ser vistas como afrontas pessoais e a transparência transforma-se num incómodo.
A arrogância na governação local não se traduz apenas em más atitudes — tem custos reais. Afasta talento, desmotiva equipas, bloqueia a inovação e corrói a confiança pública. As cidades deixam de ser organismos vivos e participados para se tornarem feudos de poder, onde o cidadão é tolerado, mas raramente escutado. E quando a vaidade se sobrepõe ao diálogo, o resultado é previsível: estagnação, conflito e desilusão.
A humildade, pelo contrário, é um ato de inteligência política. O autarca que ouve, que reconhece erros, que valoriza o contributo dos outros, é aquele que deixa um legado duradouro. A liderança moderna — sobretudo no contexto urbano — exige empatia e capacidade de escuta. Cidades resilientes e criativas não se constroem com imposições, mas com colaboração.
Num tempo em que os desafios locais são cada vez mais complexos — habitação, mobilidade, sustentabilidade, coesão social — a soberba é um luxo que nenhum município pode pagar. Precisamos de líderes com autoridade, sim, mas não autoritários; com convicções firmes, mas sensíveis à realidade que os rodeia. O poder que não se abre à crítica acaba, inevitavelmente, por se fechar sobre si próprio.
O verdadeiro prestígio político não nasce da imposição, mas do respeito conquistado. E esse respeito só é possível quando o exercício do poder é guiado não pela vaidade, mas pelo serviço público. A humildade, longe de ser sinal de fraqueza, é a mais sólida das forças!


– Concordo totalmente com a opinião descrita .