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Opinião: “Profissões sexy”

26 de junho de 2025 às 09 h30

Em 2012, um destacado investigador na área de Análise de Dados, Thomas H. Davenport, escreveu, em conjunto com D. J. Patil, na famosa Harvard Business Review, um artigo que se tornaria famoso na área de Ciência de Dados, dizendo que esta se tornaria a profissão mais sexy do mundo (“Data Scientist: The Sexiest Job of the 21st Century”).

Esta afirmação baseava-se na ideia de que as empresas começavam a tomar consciência do potencial dos dados que tinham em seu poder e os talentos especializados nesta área eram ainda poucos e muito bem pagos. 10 anos mais tarde – em julho de 2022 – os mesmos autores revisitaram o tema (“Is Data Scientist Still the Sexiest Job of the 21st Century?”), mantendo a sua crença na atratividade dessa função, embora com novos desafios. Esta convicção parece já ter sido afetada com o ChatGPT e outras IA generativas. Ainda assim, a prevalência de 10 anos em “alta” no mercado de trabalho é, nos tempos de hoje, praticamente impossível de atingir.

Quando surgiu a versão mais democrática do ChatGPT, houve diversas opiniões sobre as profissões do futuro, com especializações em “engenharia de prompts” (porque o cerne do uso da IA estaria em colocar boas questões) a serem das mais mencionadas.

Já se percebeu que a própria IA nos vai “orientar” para gerarmos melhores perguntas e que, já no presente, a IA é autofágica, antagonizando profissões que ela própria tinha acabado de “inventar”, não nos dando sequer tempo de criarmos uma opinião.

O portal “AI Jobs – The Leading Job Board for AI, ML & Data Science” (em aijobs.ai) pode dar-nos um vislumbre do que esta área necessita agora, o que não quer dizer que seja relevante daqui a um ano… Em Portugal, a Fundação Francisco Manuel dos Santos publicou, em abril, um estudo – “Automação e inteligência Artificial no Mercado de Trabalho Português: Desafios e Oportunidades” coordenado por Pablo Casas, Hugo Castro Silva, António Sérgio Ribeiro e Rui Baptista – que sentencia que 30% do emprego está exposto à IA e à automação, podendo vir a desaparecer, destacando a urgência de políticas públicas que previnam essa situação, bem como apenas cerca de 35% do emprego não será facilmente automatizável.

Os estudantes estão agora a realizar os seus exames de 9.º, 11.º e 12.º anos. Muitas conversas surgem sobre o futuro: que cursos escolher? Aqueles de que gostam ou os que não estejam tão expostos e/ou em risco de desaparecer pelo uso de IA? E como é que isso se prevê? Este contexto já não é para “profissões sexy” mas sim para quem desenvolve skills e se mantém competitivo. Não basta procurar o que o mercado pretende agora mas pensar em como nos mantermos atraentes como profissionais durante praticamente 45 anos de vida profissional. E 45 anos é muito tempo…

1 Comentário

  1. Mais Um Equivocado diz:

    Ui… “A IA é autofágica”? Erro fundamental de atribuição. O humano é autofágico. Conforme previsto há anos. O erro de atribuição humano. Os docentes do ensino superior da universidade de Coimbra andam a dormir…! Ui… Andam, andam! Emprego de futuro…? Supervisão de máquinas. Todas as máquinas, praticamente todas as áreas. Como não são necessários tantos supervisores quantas as máquinas, porque as máquinas serão francamente mais competentes que os humanos nos diversos domínios, lá estaremos de novo sujeitos à cunha para se ser supervisor de máquina. O direito de sucessão por linhagem familiar, mesmo quando se é francamente imbecil, que também sempre imperou por terras lusas, não sendo Coimbra uma agradável excepção, para a função de supervisor de máquina, também se espera que se venha a manter. Supervisor de agente artificial investigador, supervisor de agente artificial médico, supervisor de agente artificial engenheiro, supervisor de agente artificial advogado… Por aí fora. Profissão do futuro? Supervisor de agente artificial. Embora o supervisores venham a ser os imbecis desta relação diádica agente humano-agente artificial. Agora, responsabilizar os IAs pelas decisões dos humanos…? O IA é que tem a culpa…? Era só o que faltava! O cúmulo da esquizofrenia, humana.

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