diario as beiras
opiniao

Opinião – O homem e a máquina

26 de julho de 2024 às 10 h12
0 comentário(s)
Maria Helena Teixeira - Química e escritora

A notícia das manifestações de protesto de activistas que recentemente ocorreram em S. Francisco e os acesos debates que se seguiram sobre a problemática da Inteligência Artificial levou-me, neste período de pré-férias, a algumas reflexões, interrogações, e até especulações, sobre um futuro que antevejo cada vez mais incerto.
Há já mais de cinquenta anos que a I.A. é uma realidade quando simplifica e facilita muitas das tarefas nas nossas vidas: quando usamos computadores, quando abusamos dos meios de comunicação social, quando máquinas e robots são utilizados em actividades de manufactura e produção em várias empresas, etc.. Mas é precisamente a rapidez com que tudo está a acontecer que nos obriga a reflectir sobre o futuro da I.A. e quais os pontos cardeais que vai escolher para se direccionar!…
Por exemplo, a I.A. já escreve artigos científicos ou teses de doutoramento! … Basta fornecer o título, alguns tópicos!… No campo médico, fornecem-se os dados sobre determinada situação de stresse, de depressão e até de pânico que se vive … e a I.A. imediatamente “receita” a terapêutica mais adequada!…
Será que no futuro a I.A., uma máquina, descobre facilmente um eficaz guia de procedimentos para sentimentos, pensamentos e comportamentos humanos?!
E passemos deste campo médico para outros campos: O que significa a “inteligência emocional” da máquina, por exemplo para um poeta, para um pintor ou para um compositor musical?l
Tecnologia e Arte são uma combinação cada vez mais frequente e, por isso, há “artistas digitais” cujas obras superam todas as expectativas. Contudo, tais obras apenas reportam a forma como a I.A. interfere com a Arte usando um extenso banco de dados que trata conforme estiver programada. O Homem-Artista usa os seus conhecimentos técnicos (o seu “banco de dados”, incomparavelmente muito mais reduzido do que o da I.A.), mas acrescenta-lhe a sua personalidade de ser humano (sentimentos, emoções, virtudes, defeitos).
Nesta conjuntura, quando projectamos a nossa percepção da I.A. numa dimensão de preocupação sobre o que vai ficando no ser humano perante a evolução da máquina, é natural que os amantes da Arte fiquem assutados e que a vejam como uma das últimas fronteiras da capacidade humana e se levantem dúvidas. A reflexão sobre estas zonas, a que muitos já chamaram cinzentas, fazem questionar muitas vezes o que é realmente a I.A. e se o desenvolvimento tecnológico é assimilado pelo Homem e muda a forma de Ele se ver a si próprio!
A capacidade de captar o Mundo por meio de estímulos é um dom e é, a partir daí, que é possível dominar as nossas emoções e usá-las a favor de nós mesmos. Por isso, será perigoso que se estabeleça um qualquer paralelo entre a arte da Máquina e a do Homem. E se há o risco de a Máquina dominar o Mundo, como preparar e capacitar o Homem para administrar um recurso de que ainda não se tem total conhecimento da sua extensão e do seu poder?!
E ficará sempre a questão de sabermos se no futuro teremos o Homem no controlo da Máquina ou a Máquina no controlo do Homem. Aqui iniciaremos uma viagem perigosa por um campo ético muito sério.

Autoria de:

Opinião

Deixe o seu Comentário

O seu email não vai ser publicado. Os requisitos obrigatórios estão identificados com (*).


Últimas

opiniao