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Opinião: Mudar o comportamento perante o que não se espera

06 de fevereiro de 2026 às 12 h07
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Portugal entrou num comboio de tempestades, sempre ameaçado pela chegada de uma outra, sem ainda ter recuperado da depressão Kristin. Foram ventos fortes e chuvas que causaram mortes e deixaram concelhos inteiros numa situação de calamidade: são dezenas e dezenas de habitações destruídas ou impossíveis de habitar porque a água as inundou ou a chuva continua a cair; são dezenas e dezenas de postes de média e alta tensão dobrados como se fossem finos arames; são as populações privadas de electricidade e, nalguns casos, também de água; são as estradas ou caminhos cortados pela queda de árvores de grande porte; são carros destruídos por árvores ou levados pelas águas dos rios e pelas inundações; são dezenas de zonas do País sem comunicações, isoladas e impossibilitadas de pedir qualquer auxílio; são algumas pequenas ou médias empresas totalmente destruídas. E continuam situações ainda mais confrangedoras de quem vê homens de mais de sessenta anos a subir aos telhados para os cobrir com plástico ou telhas cedidas por amigos solidários para substituir as telhas levadas pelo vento e, alguns, a cair e a acabar vítimas mortais; são vítimas de intoxicação pelo monóxido de carbono libertado de geradores utilizados como recurso.
Os Autarcas desesperam, a Protecção Civil trabalha dia e noite, os organismos de Solidariedade Social fazem o que podem, e o que tem valido é sobretudo a espontânea forma de ser do povo português: a mobilização em gestos de solidariedade nunca vistos!…
Sabemos que há um sofrimento profundo de quem tudo perdeu e não mais recupera!… E sabemos como vai ser difícil, moroso e muito mais caro do que por aí se vai dizendo, repor a normalidade possível!…
E, sabendo embora que nem tudo é possível prever, sobretudo quando de fenómenos naturais se trata – a natureza é soberana -, interrogamo-nos se os Governos alguma vez consideraram esta problemática como um assunto prioritário a ter em conta nas suas políticas: a par da defesa nacional, da saúde, da habitação e outras de que hoje tanto se fala nos areópagos políticos!…
Catástrofes desta natureza, como das que aconteceram com os incêndios de 2017 e os do ano passado, põem à prova a força de decisão política dos Governantes e deixam a nu as estruturas de segurança de um País!… Quando é necessário que estas actuem com rapidez tudo parece falhar, com organismos não devidamente hierarquizados, a funcionar cada um para o seu lado, organismos burocratizados!… E, depois, multiplicam-se os efeitos tóxicos de todos nos queixarmos de falta de prevenção ou de falta de rapidez de actuação de todas as estruturas: dos bombeiros, das Autarquias, do Governo Central! Não sabemos quais as medidas preventivas criadas, nem quem tem obrigação de as fazer cumprir (só se procura depois dizer onde falharam … e falham quase sempre quando são necessárias …), depois, perante a catástrofe, não se sabe onde está o posto de comando/centro de operações, quem chamar, quem deve intervir, quem controla a hierarquia a respeitar!…
Quando a insegurança grave ocorre perante situações excepcionais, há que adoptar medidas excepcionais.
Como está, como tem acontecido, isto é um Poder parado! E um Poder parado é uma vida parada, um Poder que pode levar um povo a não respirar! Há que mudar radicalmente este tipo de comportamento. Mudar o comportamento perante o que não se espera é mudar o mundo e para mudar o mundo só é preciso mudar o nosso comportamento!…

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